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Terminei ontem o livro “Lincoln no Bardo” de George Saunders.

A primeira coisa que devo dizer é que não é um livro fácil. É um livro diferente de tudo o que já li e é também um livro onde se aplica a máxima “primeiro estranha-se depois entranha-se”.

Uma das coisas que salta imediatamente à vista quando começamos a ler o livro é a criatividade e imaginação do autor. Complexo, mas extraordinário, no sentido em que é inesperado e original.

Não terá sido certamente por acaso que o livro ganhou o Man Booker Prize de 2017, e esse (o prémio) foi também o principal motivo que me levou a ler o livro. Já sabia que o livro tinha contornos diferente e que o tema era também ele sui generis: a morte de um filho pequeno de Abraham Lincoln e a sua passagem pelo bardo (no budismo tibetano, estado intermédio da existência, entre a morte e o renascimento) a ligação entre o pai vivo e o filho já morto, e todo a história contada por múltiplas vozes, dos mortos do cemitério numa única noite.

Efetivamente não vale a pena contar muito da história porque apenas lendo conseguimos perceber a sua dimensão, sendo que eu tenho noção que muita coisa certamente me escapou.

É um daqueles livros que fica na memória, que não se esquece, como uma experiência nova com a qual não contávamos, mas que apreciámos bastante e que por isso deixou marca.

Por tudo isso recomendo vivamente a leitura do livro, de espirito aberto para apreciar uma experiência narrativa diferente e uma grande capacidade imaginativa para contar uma história.

Sinopse:

Lincoln no Bardo é o primeiro romance de George Saunders. Nestas páginas, o autor revela-nos o seu trabalho mais original, transcendente e comovedor. A ação desenrola-se num cemitério e, durante apenas uma noite, a história é-nos narrada por um coro de vozes, que fazem deste livro uma experiência ímpar que apenas George Saunders nos conseguiria dar. Ousado na estrutura, generoso e profundamente interessado nos sentimentos, Lincoln no Bardo é uma prova de que a ficção pode falar sobre as coisas que realmente nos interessam. Saunders inventou uma nova forma narrativa, caledoscópica e teatral, entoada ao som de diferentes vozes, de modo a fazer-nos uma pergunta profunda e intemporal: como podemos viver e amar sabendo que tudo o que amamos tem um fim?

Mais sobre o livro:

Entrevista do “Expresso”

Reportagem do “Público”

Crítica na revista “Sábado”

Livro do Dia da TSF