
Por José Leonardo Ribeiro Nascimento
Meu irmão aproveitou uma promoção da Livraria Cultura e comprou três clássicos de H. G. Wells: O homem invisível, A ilha do Dr. Moreau e A máquina do tempo, todos da Alfaguara. A capa de O homem invisível já havia despertado a minha curiosidade, e quando vi o livro em minhas mãos, não resisti e mandei para ele apenas os outros dois. Terminei de ler as duzentas páginas do livro naquele mesmo dia.
O homem invisível é um clássico da ficção científica. Escrito em 1897, já foi transformado em filme, imitado, parodiado, inspirado super-heróis e mesmo com mais de cem anos de idade, o livro exala frescor, provando que toda boa literatura é eterna. Narra a história de um homem invisível, como qualquer leitor com um mínimo de perspicácia já deve ter percebido, que tenta a todo custo descobrir como reverter o processo. Ele vai para uma cidade no interior da Inglaterra em busca de sossego, mas acaba chamando a atenção de todos os moradores por seus modos bruscos, por seus segredos, pelas experiências que constantemente faz… e por acontecimentos estranhos surgidos depois da sua chegada.
O homem invisível é um livro bastante cinematográfico. Desde a evocação de imagens – claro que você não se imagina “vendo” o homem invisível, mas você se imagina justamente não o vendo – até o enredo, começando de maneira lenta e preparando terreno para uma conclusão explosiva.
H. G. Wells é bastante diferente da maioria dos autores que eu costumo ler. Sua preocupação é em contar uma boa história. Seu estilo é simples, direto, elegante, sem firulas. Ao mesmo tempo, ele sabe criar tensão. O autor escolheu narrar a história sem jamais adentrar no ponto de vista do homem invisível. Assim, não sabemos exatamente o que ele pensa até que ele abra a boca para falar, o que demora um pouco. Também não sabemos como ele se tornou invisível, nem exatamente o que ele está tentando com aquelas experiências. Entregar as informações assim, aos poucos, é, sem dúvida, um dos muitos acertos do escritor inglês.
O homem invisível é um livro divertido, para você ler de uma só vez. Não carrega grandes pretensões, não quer discutir a natureza humana ou filosofar sobre o bem e o mal. H. G. Wells sentou-se e escreveu uma história que desafiou a imaginação das pessoas de seu tempo e que consegue mexer com nossas cabeças ainda hoje. Pra quem gosta de ficção científica, um prato cheio. Pra quem gosta de boa literatura, também.
Minha Avaliação:
4 estrelas em 5.