Voltando aos contos. 

"O tesouro" é um original de Eça de Queirós, que conta a história de três irmãos de Medranhos, chamados Rui, Guanes e Rostabalque, que encontram um tesouro. O "três" está muito presente na história e tem um grande simbolismo. São três irmãos, três chaves... e claro, neste conto está subjacente uma lição: é que no fim, vence o egoísmo e nenhum dos três consegue ficar com o tesouro. 

Este conto é um dos vários que encontramos no livro "Contos" de 1902. Eça notabilizou-se pela originalidade e riqueza do seu estilo e linguagem mas também pelo o realismo descritivo e pela crítica social constantes nas suas obras.

José Maria de Eça de Queiroz nasceu no dia 25 de novembro de 1845, numa casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim, no então número 1 ao 3 do Largo de São Sebastião (hoje Largo Eça de Queiroz), no centro da cidade, em casa de um parente de sua mãe, Francisco Augusto Pereira Soromenho, funcionário aduaneiro da Póvoa de Varzim. O pai de Eça de Queiroz, magistrado e par do reino, convivia regularmente com Camilo Castelo Branco, quando este vinha à Póvoa para se divertir no Largo do Café Chinês. Em Coimbra, Eça foi amigo de Antero de Quental. Os seus primeiros trabalhos, publicados na revista "Gazeta de Portugal", foram depois coligidos em livro, publicado postumamente com o título Prosas Bárbaras.