Os meus livros preferidos são sem dúvidas romances históricos. Farta de andar de volta de reflexões demasiado complicadas, fui à procura de algo mais do meu interesse. E em outubro de 2013 estava a ler o romance histórico de Pedro Almeida Vieira, "O profeta do Castigo Divino".

Este livro de Pedro Almeida Vieira fala-nos da história de Gabriel Malagrida e de Portugal nos anos que antecederam o terramoto de Lisboa de 1755. Falam-nos da Igreja Católica no século XVIII e da obscuridade em que se vivia. É um livro que trata da história de Portugal vista de uma outra perspetiva.

Gabriel Malagrida é um jesuíta, natural de Itália. Com um comportamento obcessivo por natureza, teima em evangelizar os que no "novo mundo descoberto viviam em supostas trevas". Depois de muito se instruir, embarca para o Brasil e para o Maranhão. Em Belém do Pará, encontra uma terra nada dada a atos religiosos. Lá encontra a sua vocação: evangelizar e colonizar os índios, - com atos nem sempre "memoráveis" para depois ao voltar a Portugal, Lisboa o receber como autor de vários milagres (uns façanhas e embustes, outros apenas coincidências, que num século de tão parca instrução eram atribuídas a atos divinos).

O padre Malagrida é de certa forma descrito por Pedro Almeida Vieira como um misto de iluminado, de escolhido de Deus, militante eclesiástico, visionário, profeta do mal, socialmente excêntrico face aos próprios companheiros jesuítas, missionário obstinado, tão fanaticamente crente na missão divina da sua vida que não hesita em usar estratagemas ardilosos (como o das bolas de cera no mar) para exaltação de uma maior santidade pessoal e divina. Acresce um lado milagreiro, que espanta o próprio Diabo.

Malagrida veio a ser condenado como herege no âmbito do Processo dos Távora.

O livro foi para mim interessante pela sua contextualização histórica. É um livro longo e denso, com uma narrativa pouco fluida, embora o tema fosse até interessante e o livro esteja muito bem escrito e mostrando uma grande pesquisa histórica.