Leituras de verão - recomendações
Inspirado numa iniciativa do Goodreads.
O Verão (cerca de Maio-Setembro, vá) é, regra geral, a altura do ano em que leio mais (algo que não se verificou este ano ainda, dado que passei grande parte de Maio sem muito tempo). É também a altura em que a maioria das pessoas tem maior disponibilidade para se dedicar à leitura, devido aos períodos de férias.
Fui alegremente ver a tal lista que o Goodreads fez e confesso que fiquei desiludida. Não tenho nenhum dos livros (importante em alturas de contenção de gastos e compras) e, mais que isso, nenhum deles me apela particularmente. Assim, e a pedido
de muitas famílias, ficam aqui as minhas recomendações de leituras de Verão.
Para este fim, queria focar-me em livros que estão traduzidos para português... mas, pela minha pesquisa, muitas edições portuguesas estão esgotadas. Mas esforcei-me! Fica portanto um misto linguístico, com links para posts mais antigos.
Para quem quer ler um calhamaço:
Há quem aproveite as férias para ler um livro mais massudo - massudo como em massa, daqueles que pesam, ocupam 70% do espaço útil da mala e provocam inevitavelmente dores de ombro, não maçudo de chato. Incluem-se nesta categoria livros com mais de 500 páginas.
Maria Antonieta, de Antonia Fraser, é uma biografia da mais conhecida e polémica rainha de França, desde criança até à guilhotina. É um retrato humano e empático de uma mulher que possivelmente esteve apenas no lugar errado, na época errada, e era apenas fruto do seu tempo. Podem comprar esta edição aqui (e não recomendo a da BIS/Leya, que não sei o quão resumida é, mas tem apenas cerca de 190 páginas).
Gone With the Wind, de Margaret Mitchell, é um livro cuja edição portuguesa me parece estar completamente esgotada, mas que não posso deixar de recomendar. É o romance que define todos os romances, é uma história de resiliência, coragem e mau feitio, com a inesquecível Scarlet O'Hara como protagonista. Recomendo também o filme, também um épico de 4 horas. Podem comprar esta edição aqui.
Dona Flor e seus dois maridos, de Jorge Amado, é possivelmente o romance com mais "salero" do autor. Tem, como os outros, muita crítica social, mas é possivelmente o mais leve, o que se centra mais no humor, além de um forte foco no papel da mulher na sociedade - motivo pelo qual, neste post, recomendo este e não outro, embora esteja longe de ser o meu favorito. Podem comprar esta edição aqui.
Para quem quer ler algo mais simples:
Para os que gostam de ficção, mas querem deixar leituras mais elaboradas para longe do areal ou da festa de aldeia.
Matilda, de Roald Dahl, é um livro infantil, que inspirou aquele filme fofinho dos anos 90 (também chamado Matilda), sobre uma menina que gostava muito de ler. Adoro o filme, adoro o livro, acho que é o tipo de história indicado para qualquer pessoa que goste de ler (embora hoje em dia se saiba que Roald Dahl foi péssima pessoa, portanto deixo à discrição de cada um a opção de ler ou não esta obra). Podem comprar esta edição aqui.
Um Quarto com Vista, de EM Forster é um clássico, um romance em Florença com bonitas descrições de cenários, um livro curto, cuja narrativa se centra numa sociedade vitoriana conservadora. É um livro que eu pessoalmente acho excelente e ao mesmo tempo extremamente simples. Os livros (e os clássicos) não têm de ser complicados para serem bons. Podem comprar esta edição aqui.
A Mulher do Viajante no Tempo, de Audrey Niffenegger, está nesta categoria como podia estar na dos calhamaços. No entanto, é um livro que se lê extremamente bem, com uma narrativa fluída e simples, e achei que cabia melhor aqui. Mete, como o título indica, viagens no tempo - de uma forma muito pouco sci-fi, porém -, e um romance impossível. Podem comprar esta edição aqui.
Para quem tem tempo para um livro mais complicado:
Porque não é todos os dias que temos duas semanas para não fazer absolutamente nada (fora lavar a cozinha), há quem escolha precisamente o tempo de férias para se dedicar àquele livro que acha que vai ser difícil e precisa de tempo e dedicação.
Cem Anos de Solidão, de García Márquez, estaria longe de ser um livro complicado, se não fosse a miríade de Aurelianos que temos de distinguir uns dos outros, bem como as personagens cujo tempo de vida se estende bem para além dos tais cem anos. Confesso que estive para colocar este livro na categoria abaixo, mas agora fica nesta. Podem comprar esta edição aqui.
Possessão, de AS Byatt, deu origem a um filme com a Gwyneth Palthrow e o Aaron Eckhart. O filme é bom, mas, para não variar, o livro vai mais longe. Também este (tal como Matilda) é um livro para pessoas que gostem de livros. Uma investigação histórica, autores vitorianos obscuros, conflitos no meio académico, um amor secreto, uma mulher muito à frente do seu tempo. Podem comprar esta edição aqui.
O Som e a Fúria é possivelmente das grandes definições de livro difícil, e é um dos meus livros preferidos de sempre. Recomendo a quem queira ser emocionalmente atropelado por um camião, a quem goste de juntar peças, a quem goste de autores sulistas dos Estados Unidos da América, a quem goste de dramas familiares, do Sul decadente. Recomendo a quem seja humano e tenha paciência, no fundo, porque Caddy smells like trees. Podem comprar esta edição aqui.
Para quem quer ir de férias para um mundo diferente:
Fantasia, realismo mágico, distopia e outros que tais entram aqui.
O Senhor dos Anéis, de JRR Tolkien, é possivelmente uma das maiores referências em termos de fantasia. Mais uma vez, também esta obra se podia encaixar na categoria "calhamaço", dada a dimensão conjunta dos três volumes que a compõem. Para quem gosta dos filmes e nunca atacou os livros: que tal este ano? Podem comprar esta edição (do primeiro volume) aqui. Opiniões dos segundo e terceiro volumes aqui e aqui, respectivamente.
A História de Uma Serva, de Margaret Atwood, é extremamente relevante por dois motivos: primeiro, todas as políticas e polémicas relativamente a direitos das mulheres que têm surgido com a nova administração dos Estados Unidos da América; segundo, porque há uma série deste livro que saiu este ano. Distopia na qual as mulheres são subjugadas a um papel basicamente reprodutor na sociedade. Horrível, sim - quiçá não tão impossível assim de acontecer. Podem comprar esta edição aqui.
Margarita e o Mestre, de Mikhail Bulgakov, é um dos livros que me vem à cabeça quando me questionam sobre o meu livro preferido. Por um lado, a sátira: o Diabo vai a Moscovo e decide divertir-se. Por outro, o autor atormentado, o romance proibido. No meio disto tudo, Pôncio Pilate e o julgamento de Jesus Cristo. Um gato que bebe vodka, bruxas, magia negra, Margarita e a sua luta pela felicidade junto ao Mestre, que tanto ama. Dos meus livros preferidos da vida. Podem comprar esta edição aqui.
Livros que recomendo mas não arranjei categoria:
Que é como quem diz, para quem não faz grande distinção do que vai lendo ao longo do ano e quer saber uns dos meus preferidos aleatórios.
Reviver o Passado em Brideshead, de Evelyn Waugh, é outro dos meus eternos preferidos, e não consigo deixar de lamentar esta capa horrorosa da Relógio d'Água. É sobre Charles Ryder, que em Oxford conhece Sebastian Flyte, que o leva a conhecer os outros Flytes e a sua casa de família, Brideshead, uma enorme mansão. Tanto a casa como a família exercem um fascínio e um poder enorme sobre Charles. Nostalgia, homossexualidade, catolicismo, a vontade de realmente reviver o passado. Podem comprar esta edição aqui.
Invisible Monsters, de Chuck Palahniuk, é um dos livros mais importantes da minha adolescência. Infelizmente, o único livro do autor que está neste momento disponível em português é o Clube de Combate (sim, é da autoria deste mesmo autor). Possivelmente não é uma recomendação para qualquer um, mas este livro marcou a Bárbara de 16 anos. Uma modelo deformada por um tiro no maxilar dá a volta à América com Brandi Alexander, transsexual que conheceu no recobro, e um homem desconhecido. Podem comprar esta edição aqui.
Rebecca, de Daphne du Maurier, é um mistério envolvente. Nunca vi o filme do Hitchcock, confesso - e também hesitei entre recomendar este e o My Cousin Rachel. Bom para quem quer um livro de suspense, um crime, um mistério, mas quer talvez algo mais que o que é oferecido pelos policiais e thrillers modernos. Podem comprar esta edição aqui.















