Divagações: Sense and Sensibility
Já disse anteriormente que adoro Jane Austen. Algo que não contei é que o primeiro livro desta autora que li é justamente aquele que deu origem a Sense and Sensibility. Assim, essa produção de 1995 sempre representou para mim uma espécie de ‘sonho transformado realidade’. É bobo, eu sei, mas eu era apenas uma menina.
Mas, sinceramente, não é isso que importa. A premissa acima serve apenas para colocar moças bem-educadas em uma situação desfavorável, onde qualquer pretendente se assemelhe a uma tábua de salvação. Para Elinor, a responsável irmã mais velha, isso surge justamente na figura do irmão de Fanny, Edward Ferrars (Hugh Grant), que, no entanto, está secretamente noivo de Lucy Steele (Imogen Stubbs). Já Marianne, a intensa irmã do meio, arruma dois interessados: o soturno coronel Brandon (Alan Rickman) e o vivaz John Willoughby (Greg Wise). E são as idas e vindas desses corações apaixonados que marcam o andamento da trama.
Com o roteiro caprichosamente escrito por Emma Thompson e a direção sensível de Ang Lee, esse filme tinha tudo para ser a melhor adaptação de Jane Austen para o cinema. Embora esteja, sem dúvida, entre as mais bem realizadas, a produção sofre com uma edição praticamente amadora. Para completar, é preciso admitir que o material original não valoriza muito os personagens masculinos. O texto até se esforça para dar uma dimensão extra, mas a atuação de Hugh Grant apenas atrapalha essa iniciativa.
Uma das grandes forças de Sense and Sensibility, no entanto, é o que fica nas entrelinhas. Entre fofocas e segredos, olhares acabam dizendo mais do que muitas palavras e uma atitude fora do esperado vale por um livro inteiro. Emma Thompson tem a missão de segurar tudo com rédeas firmes, sofrendo em segredo, mas seus breves momentos de fraqueza demonstram o imenso coração da personagem. Já a personagem de Kate Winslet parece ser alguém fácil de ler, mas sua intensidade esconde um desespero latente e um amor imaturo.
Ao mesmo tempo em que trata de relacionamentos amorosos, a produção ganha ao se focar também nas relações familiares, especialmente ao opor narrativamente a união das mulheres Dashwood com as ideologias dos irmãos Ferrars. São várias camadas que entrelaçam as relações por interesse e aquelas por vínculo afetivo, algo característico das dimensões domésticas relatadas por Jane Austen.
Para completar, esse material é acompanhado de um charmoso cenário inglês, com direito a figurinos de época (mas nada extravagante) e os bailes coreografados do começo do século 19. Sense and Sensibility é um fácil de assistir por não exigir muito do seu espectador. Ao mesmo tempo, não é como se fosse possível simplesmente ‘desligar o cérebro’. Esse é um entretenimento simples, que conta uma bela história com respeito e não subestima seu público.
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