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| Fotografia da minha autoria |
«O medo aprisiona, a esperança liberta»
Avisos de Conteúdo: Cenas Explícitas, Saúde Mental, Referência a Suicídio
A sociedade, em vários parâmetros, atribui muita importância aos números - enquanto aluna de Humanidades, escutei sempre o estigma de ser uma área mais fácil, de ter ido para essa área para fugir à matemática. Embora o livro de Samuel Pimenta não explore esta vertente, o título remeteu-me para o ambiente descrito.
OS NOMES VS OS NÚMEROS
Os Números Que Venceram os Nomes representa um mundo distópico, no qual Um Nove Um Seis, um jovem que trabalhava num call center, preso à tecnologia, é internado num hospício. Durante esse tempo, partilha quarto com um velho, que «lhe fala da resistência ao regime» e é a partir deste ponto que as coisas se alteram.
«Eram tantos os humanos que corriam dentro das suas gaiolas
estáticas sobre as bancadas de uma qualquer sala de estar»
Neste livro, existe uma pergunta que se repete em surdina e, pouco a pouco, a identidade é completamente descaracterizada, atendendo a que se ergue uma ditadura global. Assim, nesta comunidade controlada pelo governo, as memórias perdem força e os nomes são, por consequência, substituídos por números. Enquanto os primeiros criam desordem, pela sua pluralidade, os segundos fomentam um estilo organizado, que não concede espaço para interpretações abstratas, dúbias. É que «os nomes obrigam a questionar», mas os números «definem» e eu gostei bastante desta oposição, desta dicotomia que também fomenta uma divisão.
«Explicou também que a poesia é o que mais se aproxima da essência das coisas»
A premissa é intrigante e envolve-nos de imediato. Aliás, a escrita do autor é fluída, levando-nos a transitar entre o presente e imagens de um passado distante, vago. Não obstante, precisava de mais: precisava de saber mais sobre a fórmula matemática que comprova a existência de Deus, precisava de saber mais sobre os efeitos destas mudanças na sociedade, precisava de compreender a origem de certas decisões e, também, precisava de mais detalhes acerca deste mundo novo, das fronteiras que se ultrapassam para lá chegar.
«A dúvida sobre que caminho escolher pode intimidar-te, mas o verdadeiro livre-arbítrio é esse»
Apesar de alguns aspetos não terem resultado comigo, acredito que Os Números Que Venceram os Nomes tem potencial, até por nos permitir refletir sobre liberdade, essência e as batalhas que travamos por dentro.
🎧 Música para acompanhar: Devagar, Ornatos Violeta
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