Fotografia da minha autoria

«A vida é feita de momentos colecionáveis»

Outubro. Este mês foi bastante sereno, com alguma nostalgia acumulada, porque dei por mim a relembrar eventos que tinham sempre representação nesta altura e o fim de semana maravilhoso que vivi, o ano passado, por Sintra. Ainda assim, teve apontamentos aconchegantes e muitas tardes iluminadas pelas velas que eu adoro. Além disso, abri, oficialmente, a época das leituras sob mantas, com a chuva a embalar.

O Nº1 da PORTUGALID[ARTE]: Este meu novo projeto ainda mal começou e já me proporcionou momentos de encher o coração. Desde o anotar de ideias até à sua escrita na revista, tem sido uma viagem bonita. E é claro que o retorno não me poderia ter deixado mais feliz, porque é mesmo gratificante perceber que há sempre alguém a dar-nos a mão, quase de olhos fechados, ajudando-nos a crescer e a estimular o nosso entusiasmo e a nossa dedicação. Por isso, o meu agradecimento será eterno. E prometo dar o meu melhor para não defraudar as vossas expectativas [podem ler o nº1 carregando na imagem da barra lateral].

Com imensa pena, não consegui marcar presença no aniversário da minha afilhada, mas, quando as circunstâncias forem favoráveis, aproveitaremos para matar saudades. A Liga dos Campeões regressou e, embora o primeiro resultado não tenha sido positivo, fiquei orgulhosa da prestação da equipa. Somos muito grandes: em talento e em caráter.

Apneia // Tânia Ganho: Esta obra literária conquistou-me pela capa lindíssima, mas contrastante com a dureza da mensagem que guarda no seu interior. Partindo do testemunho de várias mulheres, que partilharam as suas experiências de divórcios litigiosos e de idas aos tribunais de família e menores, somos confrontados por uma sensação de revolta e de angústia recorrente, atendendo a que evidencia problemas fraturantes da nossa sociedade - que, aparentemente, evoluída continua a falhar nos cuidados mais básicos. De quantas provas necessitamos mais para impedir tragédias? [Uma Dúzia de Livros // Outubro].

Princípio de Karenina // Afonso Cruz: É uma carta de amor escrita por um pai para a filha que não conhece, contando-lhe a sua caminhada desde a infância até à idade adulta, numa tentativa de minimizar a distância e a ausência. Este tom intimista, que nos leva aos confins do mundo, mais concretamente, à Cochinchina, permite desconstruir o silêncio, a deformação física, o medo do desconhecido e os preconceitos que nos limitam. Além disso, expõe a cegueira que nos impede de ver - e de apreender - o que se passa à nossa volta, muito por influência da nossa estrutura familiar, que tem o dom de nos abrir janelas ou de nos cortar as asas [The Bibliophile Club // Outubro].

O Comboio das Nove // Filipe Bacelo: A premissa cativou-me, sobretudo, por ser inspirada em factos reais. No entanto, confesso que o livro não me arrebatou, pois estava à espera de encontrar um relato mais profundo sobre temas tão importantes como a luta contra a dependência ou como a capacidade de perdoar. Há uma história de amor em estado puro, que alimenta a vontade de mudar, mas senti falta de uma contextualização maior, porque existem passagens que ficam um pouco perdidas na ação, acrescentando-lhe muito pouco. Além disso, o uso excessivo de reticências também não me deixou particularmente rendida ao ritmo da narrativa. O Comboio das Nove é um convite à perseverança, mas faltou-lhe explorar o lado mais sombrio da vida do protagonista, para que a força da resiliência e do amor assumisse outro impacto.

Sem Saída // Taylor Adams: A expressão «estar no lugar errado à hora errada» acompanhou-me durante grande parte da leitura. No entanto, ao refletir mais a fundo sobre a premissa, cheguei à conclusão que, se calhar, a protagonista estava mesmo no local certo. Porque, caso contrário, o desfecho poderia ter sido mais angustiante. Taylor Adams desenvolveu um enredo perigoso, cuja intensidade foi aumentando num ritmo desarmante, fazendo-nos questionar sobre os nossos limites. Além disso, alertando-nos para o rapto de crianças, faz-nos repensar sobre o quanto podemos confiar nas pessoas erradas. Com um final que entristece, é, ainda, uma demonstração de perseverança e de empatia.

O Meu Coração Só Tem Uma Cor // Joana Marques: Uma viagem pelas memórias e emoções que tão bem caracterizam a caminhada do Futebol Clube do Porto. Contando uma história por minuto, com direito a dois de compensação, senti-me a ser transportada para momentos e conquistas que me deixaram sem voz, com os nervos à flor da pele e com o lado esquerdo do peito a transbordar de orgulho. No entanto, também deambulei por recordações que apenas me passaram por testemunhos indiretos, porque ainda não era nascida para as ver a acontecer. Este livro é imprescindível para portistas, mas não exclusivo a quem tem o coração azul e branco. Com um relato que tem tanto de emotivo, como de humorístico, Joana Marques compilou 92 minutos à Porto, com a certeza de que a nossa mística não se esgota nestas páginas - venham mais.

Elza, Minha Luz // Almerinda Romeira & Edite Esteves: A missão deste livro é bastante clara, pois pretende alertar para a importância de estarmos atentos a «qualquer pequeno ou grande sinal» do nosso corpo. A partir do testemunho escrito de Elza, que faleceu aos 39 anos, vítima de um cancro fulminante, acompanharemos a evolução da doença e o impacto da mesma - quer na figura central desta obra, quer na família e nos amigos. Porque é sempre um sofrimento partilhado. Além disso, alternando entre uma vertente mais pessoal e uma componente mais informativa, estaremos perante uma homenagem a Elza, tão acarinhada pelos seus e pela aldeia algarvia que a viu nascer/crescer.

Seja o Que For // Miguel Araújo: A forma como observa o mundo fascina-me, uma vez que tem a capacidade de valorizar temas triviais, convidando-nos a desacelerar e a abstrair. Deambulando entre memórias, reflexões e contos de cordel, as suas crónicas têm simplicidade e humor. Em simultâneo, fazem-nos pensar na vida e nas pessoas. Levam-nos a olhar para dentro. E incentivam-nos a reencontrar-nos com aqueles grandes nadas que, afinal, significam tudo. Com o álbum Mingos e Os Samurais a tocar como música de fundo, é fácil perdermo-nos nas suas palavras e encontrarmos um propósito singular, sempre focado nos detalhes, que nos permite estabelecer uma ponte com a nossa jornada.

Luanda, Lisboa, Paraíso // Djaimilia Pereira de Almeida: O segundo romance da autora foi a minha estreia na sua obra e deixou-me encantada com o traço objetivo e doce das suas palavras; com a capacidade de, através de uma história simples, ter criado metáforas tão desarmantes e pertinentes. Porque, dentro destas páginas, vamos perceber como é que a esperança, o pessimismo, o desperdício e a redenção coabitam em equilíbrio, perpetuando uma série de acontecimentos sombrios, ternos e trágicos. Nesta travessia familiar, pesa-nos a indiferença, os sonhos que se perdem, as expectativas que se desmoronam com um sopro. Além do mais, é palpável a desorientação e o quanto uma amizade nos pode fazer renascer. Luanda, Lisboa, Paraíso é um livro duro, mas igualmente poético. E carregado de simbolismo.

3 Mulheres: A RTP tem tido uma aposta forte nas séries e este é mais um belo exemplar da qualidade desse investimento. Baseada em factos reais, a partir das biografias e da intervenção cultural e cívica da poetisa Natália Correia, da editora Snu Abecassis e da jornalista Vera Lagoa [pseudónimo de Maria Armanda Falcão], recordaremos os últimos anos do Estado Novo - 1961 a 1973 -, do início da Guerra Colonial à véspera da Revolução de Abril. Estas três mulheres, cujos percursos se cruzarão direta e indiretamente, assumirão um exemplo de coragem, combatendo contra a censura, a desigualdade, a desvalorização do género feminino e os estereótipos. Ao fazerem-se valer dos seus talentos e causas, procuram construir um futuro mais justo, no qual a verdade e a liberdade não sejam condicionadas. Com traços cómicos e intensos, na medida certa, há reencontros que nos permitem recomeçar.

Leviano: A primeira longa metragem do luso-canadiano Justino Amorim apresenta uma premissa interessante, porque há um crime controverso e um desaparecimento propositado que nunca foram resolvidos. Embora explore temas de máxima importância, como a procura por aprovação, os excessos, as relações sexuais não consentidas, o impacto de uma família disfuncional e das expectativas elevadas e os vícios que se alimentam para colmatar vazios, não achei o filme surpreendente. Aliás, algumas cenas pareceram-me desconexas e forçadas, sendo pouco relevantes para o desenvolvimento da ação - e do mistério. Ainda que nos confronte com os nossos limites, com aquilo que estamos dispostos a fazer por um sonho e pelas loucuras que cometemos para chamar à atenção, não tenho a certeza de ter compreendido bem a sua mensagem.

A terceira temporada de Absentia já está a ser exibida no AXN e regressou mais intensa e desconcertante que as anteriores. Em episódio duplo, sinto que merecia passar noutro horário que não domingo, perto da meia-noite. Na última semana, comecei também a acompanhar The Head.

Lançar Um Projeto: Do Entusiasmo ao Receio: O coração palpita sempre mais rápido, quando estamos a um passo de percorrer uma rota distinta, a tomar uma decisão mais séria ou a arriscar num conteúdo e/ou projeto novo. Porque tudo aquilo que nos atira para fora da nossa zona de conforto parece assustador e faz com que as nossas emoções oscilem, alternando entre a dúvida e o arrebatamento de explorar registos e temas pouco frequentes. Mas acredito que é este limbo que transforma a viagem em algo memorável [podem ler a publicação completa aqui].

Até Que Ponto Queremos a Verdade nas Redes Sociais?: As redes sociais podem ser um falso espelho. Porque há filtros e as partilhas nem sempre correspondem à verdade dos bastidores. No entanto, numa altura em que se clama tanto pela autenticidade daquilo que se publica, questiono-me se as pessoas procuram mesmo essa transparência ou se é apenas mais uma maneira de ficarem bem vistas [publicação aqui].

O Que Colocaria na Minha Caixa de Sapatos: Este exercício foi, naturalmente, hipotético. Contudo, optei por objetos que, para além do seu valor sentimental, pudessem identificar-me. Se, um dia, abrissem a minha caixa, gostaria que me reconhecessem. Porque era sinal que nunca deixaram de me procurar. E que as minhas pegadas tiveram propósito. Assim, no seu interior, encontrariam 18 compartimentos [aqui].

Como é Que os Blogues nos Preparam Para o Mundo?: O conceito interdisciplinar fez-se sempre sentido, porque os nossos conhecimentos não vivem em compartimentos isolados. Há meios em que essa dinâmica é mais clara, proporcionando-nos uma análise mais aprofundada das informações que vamos reunindo. E comecei a pensar sobre o quanto esta plataforma nos prepara para o mundo [publicação completa aqui].

Storyteller Dice // Nome de Código: A minha mala esconde um segredo. Inofensivo, indecifrável, indetetável a olhares alheios. Porque transporta o nosso nome de código, que nos acompanha desde a infância. Afinal, sermos os inadaptados deu-nos algumas armas que ninguém esperava. É por isso que, hoje, cremos nós, não são capazes de desvendar o nosso paradeiro. Mas nós continuamos por perto e em permanente comunicação, no entanto, sempre cautelosos [aqui].

Chocolate Negro com Recheio de Menta: O After Eight é um dos meus chocolates favoritos, porque combina dois sabores incríveis - chocolate e menta. Mas também não recuso outras alternativas que os privilegiem, por isso, este Fusion já conquistou o meu coração.

Bolo Naked de Caramelo Salgado: Há uns tempos, ficamos de olho num dos bolos da confeitaria Amigos do Doce, porque estava com um aspeto delicioso. E, recentemente, tivemos a oportunidade de experimentar este Naked, que é só divinal! Com massa de Pão-de-Ló, base crocante e mousse de caramelo salgado, tive receio que fosse enjoativo, tenho de confessar, mas estava tudo na proporção certa. Uma autêntica delícia!

Com o tempo a arrefecer, não dispenso a companhia do meu chá de jasmim. Mas ando sempre à procura de novas infusões para experimentar.

No Dia Mundial da Saúde Mental, Esta é a Minha Realidade: Através de um percurso franco - e inspirador -, a Carolina partilhou um texto pessoal sobre um tema que ainda é tão delicado e que, também por isso, merece toda a nossa atenção. Sempre acreditei no poder dos testemunhos na primeira pessoa, porque nos aproximam e permitem compreender melhor as implicações de determinado problema/condição/doença. E é bom sentir que, apesar de todos os receios, ainda há quem use as suas plataformas para dar voz a assuntos tão importantes [podem ler o texto aqui].

Ensaia Comigo: Quando assistimos a um concerto, estamos a usufruir da fase final de um trabalho desenvolvido durante meses. Partindo dessa premissa, Boss AC convidou outros artistas, de vários géneros musicais e gerações, para nos mostrarem os bastidores, que correspondem aos ensaios. Num formato original, promovem o encontro musical e a «celebração da música e do que os une enquanto artistas». Além disso, desconstroem a ideia de que sai tudo bem à primeira e o estigma que paira, por exemplo, sobre a música popular. E colocam-se à prova, porque interpretam temas que os fazem sair da sua zona de conforto. Pelo meio, há muita conversa, picardias imprevistos e improvisos.

Num mês de outubro tranquilo, que convidou a programas descontraídos e aconchegantes, o meu gira-discos imaginário fez-se acompanhar de seis álbuns extraordinários: Sem Palavras, Cem Palavras [Homem em Catarse], AMOR'FATI [Lhast], Cabrita [Cabrita], Cidade de Sal [mema.], Primavera [Irma] e Intacto [Vatsun]. Para complementar esta experiência melódica, criei uma nova playlist mensal onde cabe o mundo inteiro.

Desta Para Melhor: Esta expressão é sempre associada a uma conotação negativa. No entanto, Diogo Faro pretende quebrar a tendência e descobrir uma perspetiva mais otimista. Deste modo, contará com a presença de convidados, para conversas que, a julgar pelos episódios disponíveis - Capicua, Rita Blanco e Dino d'Santiago - nos farão refletir sobre temas de máxima importância para a nossa sociedade.

Conversas de Miguel: Pedro Teixeira da Mota e Carlos Coutinho Vilhena já são dois nomes de peso na comédia, em Portugal. Uma vez que estou atenta ao percurso de ambos, é bom tê-los juntos, num formato que me parece ter tudo para nos conquistar. Numa conversa «de miúdos», que pode descambar, a boa disposição e a pertinência estarão garantidas.

Morrer a Rir - Roast ao Cancro: O Tiago André Alves foi diagnosticado com cancro. E, enquanto doente oncológico, propôs-se a um Comedy Roast, com o intuito de, também, angariar fundos para o IPO de Lisboa. Para tal, convidou um grupo de comediantes, que «tiveram carta branca para dizer aquilo que muito bem lhes apeteceu sobre os intervenientes, o Tiago e a sua doença». O espetáculo aconteceu no dia 21 de março de 2018, no Cinema S. Jorge, e, recentemente, foi disponibilizado no Youtube, proporcionando a oportunidade de [re]ver o que se passou naquele palco. Durante pouco mais de duas horas, todas as barreiras foram quebradas, culminando num momento introspetivo e desarmante, atendendo a que convém estarmos bem resolvidos, caso contrário, encararemos cada piada como uma ofensa. Talvez seja necessária alguma coragem, mas sinto que, acima de tudo, é uma forma saudável de viver - mesmo que a luta aparente estar perdida [publicação completa aqui].

Observar o copo meio cheio nem sempre é intuitivo. E, numa altura em que a nossa realidade nos deixa em constante estado de alerta, fazendo oscilar o nosso lado mais positivo, em outubro senti-me grata por...

... Saber que os meus estão bem e seguros.

... Todo o retorno em relação à revista.

Como foi o vosso mês?