ANJO MORTO

Só e perdido na mais negra necrópole,

Encostado na cruz de um vil sepulcro,

Revelando um sorriso puro e pulcro

No mais distante ponto da metrópole.

Anjo defunto, corpo cadavérico...

Carnes magras, sublime e santo rosto,

Em que o célere tempo deixou posto

Um grito morto, um canto forte e histérico.

Apetecido, surge ele tão vivo,

Pra eu cometer meu próximo delito.

Dragão que se aproxima tão lascivo,

E me deixa perdido em mais conflito,

E crava em mim seus dentes diabólicos,

E vê graça em meus olhos melancólicos!

Rommel Werneck

Pasta Anjo Morto - Fundação Biblioteca Nacional - 2008

Há um blog que não cita meu nome após o soneto.