Em “Talvez este não seja o meu ano,” Jules de Faria, jornalista, escritora e fundadora da ONG Think Olga, nos propõe uma reflexão dentro das nossas jornadas, enquanto expõe, visceralmente, sua autoanálise em meio à própria dor. O ano de 2020, momento em que o livro surge, foi marcado tanto coletivamente pelo violento governo de Jair Bolsonaro, em pleno pânico de uma pandemia, como no individual da autora, por razões as quais ela esmiuçou em 23 poemas.

A escrita do livro foi impulsionada por surtos de criatividade que a autora experimentou, especialmente durante as madrugadas. Jules descreve essa fase como um período de produção intensa, onde a dor e a necessidade de cura transbordaram em forma de poesia.

A obra propõe um mergulho sensível na dualidade entre o mundo concreto e o mundo dos sonhos. Jules de Faria explora como as máscaras sociais e as expectativas externas podem nos sufocar, ao mesmo tempo que busca resgatar a essência individual e a transformação pessoal por meio da vulnerabilidade.

Os poemas do livro são descritos praticamente como se falados fossem, porém isso não afeta sua habilidade de tocar o íntimo do leitor, ao abordar temas como a perda gestacional, a morte de sua avó, e a saída do Think Olga. A autora destaca a importância de aceitar os fracassos e admitir que “este não é o meu ano” como um passo poderoso em sua jornada de liberdade pessoal.

Um fato que me agradou bastante e ajudou na imersão do conteúdo foi a utilização de colagens e elementos corpóreos. Para além dos poemas, esses elementos evocaram uma forte presença feminina e uma intimidade profunda, o que me conectou mais com os sentimentos descritos.

“Talvez este não seja meu ano” é uma obra de cura e resistência, onde a autora usa a poesia para navegar pelas adversidades da vida. O livro destaca a importância de ressignificar a dor e encontrar força em momentos frágeis, oferecendo uma leitura que é tanto um refúgio quanto um chamado à reflexão.