Fotografia da minha autoria

«Todos temos uma história para contar»

O silêncio da madrugada e das primeiras horas da manhã, tantas vezes confidentes dos meus pensamentos inquietos, marcaram o ritmo da minha escrita. Entre versos, que acolhem hesitações, emoções e perspetivas distintas, fui dando forma e propósito ao meu manuscrito em construção. E sinto que cheguei ao destino.

A experiência revelou-se bastante emocional, ainda que tivesse existido um certo alheamento intencional para que o processo fosse quase isento de pressões externas - e digo quase, porque há sempre apontamentos dessa natureza. Portanto, envolvida por inteiro, num compromisso sério, escrevi poemas inéditos, reaproveitei alguns mais antigos, rasurei aqueles que já não fazem sentido. E sem qualquer organização prévia, deixei que a caneta levantasse voo. Só mais tarde é que os organizei pelo conceito que idealizei. Quando cheguei ao fim, pairou sobre o meu peito um misto de superação, de felicidade e de dormência. Afinal, o meu maior sonho estava à minha frente. E eu estava naquele limbo de quem sabe que tem algo que já não é apenas seu.

Apeguei-me ao manuscrito, por isso, precisei de me afastar dele; de o deixar amadurecer longe da minha vista, para não perder o espírito crítico e para ser capaz de tomar as decisões mais acertadas. E precisei, sobretudo, de compreender que não estava nem a apressar o passo seguinte, nem a adiá-lo um pouco mais. Porque quero voltar a abrir o documento e sentir que é a minha voz literária que encontro dentro das suas palavras.

É surreal pensar verbalizar isto, ainda para mais, tendo em conta que este desfecho convive comigo desde que senti na pele a magia de contar histórias - em prosa ou em verso. Mas terminei o meu livro. E agora?

REVISÃO

O primeiro passo será rever. E mais do que uma vez. A primeira para limar arestas, percebendo se existe algo para retirar ou acrescentar, a segunda mais focada nos erros ortográficos, a terceira como complemento. Se sentir necessidade de rever mais algumas vezes, fa-lo-ei, mas tentarei não ficar presa a esta etapa, porque não quero cair no extremismo de procurar uma perfeição que nunca existirá, impedindo-me de prosseguir.

LEITORES BETA

Ponderei bastante sobre este assunto, até porque acredito na importância da visão de alguém de fora, com uma perspetiva menos condicionada e apegada ao manuscrito. Como escrevi um livro de poesia, no qual as ramificações são mais independentes, não avancei. Ainda assim, é uma hipótese que não descarto.

CONTACTAR EDITORAS

A parte mais desafiante do processo - e um pouco assustadora também. Neste passo crucial, espera-me uma pesquisa algo minuciosa, porque não me faz sentido enviar e-mails para todas as editoras do país. Em boa verdade, há várias especializadas num género literário e incluí-las nesta lista seria uma perda de tempo.

Tenho dois ou três nomes anotados, mas nada definido a 100%.

ENVIAR E ESPERAR

Concluída a etapa anterior, começarei a enviar os e-mails, tendo o cuidado de procurar ser relevante na apresentação, pois chovem mensagens desta natureza todos os dias. Depois, só tenho de respirar fundo e esperar, ignorando que pode ser a fase mais frustrante e desencorajadora. Mas faz parte do processo.

O importante, para mim, é garantir que este manuscrito é exatamente aquilo que fui sonhando, mesmo quando ainda não era claro que queria publicar poesia, mas consciente que escrever é o que mais quero fazer na vida.