«Burro lindo, cavalo feio

Sinto-me sempre no meio

Divergente, bem complexo

[...]

Farto de tentar engrandecer

Quase que vos peço para ser

[...]

Consomes-me a identidade

E quem me identificará depois?

[...]

Andei às voltas

Fiz de tudo

Para te agradar

Os anos passam

E ainda corro

No mesmo lugar

Medi sempre cada passo que dei

[...]

O futuro que eu anseio

Vai tardar a chegar

Se encurralar-me neste beco

E comparar-me

A quem seguiu a mesma estrada

E achou o seu lugar

[...]

Eu não compreendo

Sinto-me frustrado 

Ser conformista

Ou estar conformado

Adorar-me ou ser adorado

Pela melhor versão de mim

Vou trazer à tona

O que deixei guardado

No quarto escuro

Em que estive fechado

Sinto que falta

Só mais um bocado»