08

Set22

Maria do Rosário Pedreira

Há anos maus, já se sabe, mas alguma vez pensaram que num só ano fossem arrebatados dois Prémios Nobel da Literatura? Pois é, foi justamente em 1962, estava eu ainda sem saber o prazer que os livros me haveriam de dar, que se finaram dois espectaculares escritores: Faulkner e  Hesse. O Hermann era vinte anos mais velho, nascera em 1877 na Alemanha e não apostava em cavalos como o norte-americano, o que lhe deve ter dado bastante mais saúde (embora ele também tivesse crises de ansiedade e passado pela psicanálise). Escreveu livros absolutamente imperdíveis, como Siddharta, Narciso e Goldmundo (o meu favorito) ou O Lobo das Estepes, e não podia ser mais diferente em tudo de William Faulkner (um homem bem bonito, por sinal), romancista fascinante que fala da decadência da América de modo singular (O Som e a Fúria, Luz em Agosto, Os Ratoneiros...), embora seja de certa forma um escritor «à europeia», e é uma inspiração para muitos autores contemporâneos de todo o mundo, incluindo, creio, o nosso Lobo Antunes. Na Feira do Livro, hoje às 19h30, dois grandes escritores portugueses, Mário Cláudio e Lídia Jorge, vão falar destes dois génios literários no auditório da Praça LeYa. Eu vou, não perco esta conversa por nada deste mundo. Apareçam também. Vamos de certeza aprender coisas que não sabíamos.