Mariana M. Braga
A montagem de Uma vez, nada mais, dentro da Mostra Baiana do Festival de Teatro de Curitiba, é uma viagem no tempo: com direção, figurinos, sonoplastia e cenografia inspirados no cinema mudo e nas radionovelas, a peça traz também uma reflexão sobre o comportamento feminino desde então, trazendo um toque melodramático que acentua a dramaticidade do espetáculo feito de sons, mas sem palavras. Assim as atrizes Aícha Marques e Maria Menezes carregam nos gestos e na expressão facial toda a emoção de suas personagens.
Mesmo no exagero necessário para substituir as palavras, assim como eram exagerados os filmes mudos, e no cômico gerado por esse exagero, a emoção das atrizes não se perde nessa graça: os olhos também sentem as dores dos amores e desamores das personagens.
Em Uma vez, nada mais, podemos refletir também sobre como a vida imita a dramaticidade da arte – e já fazia isso desde os tempos da radionovela –, já que as mulheres se projetam em personagens da rádio e atualmente das telenovelas, dos seriados, dos filmes europeus e de Hollywood. A peça também nos faz pensar sobre o que há de universal nos sentimentos e conflitos femininos, como o ato de esperar a ligação do homem amado e a inveja entre amigas.
Depois de assistir a essa montagem baiana, com a sonoplastia do cinema mudo e um pouco da rádio do início do século passado, é até estranho ouvir vozes comuns depois que as cortinas fecham. Vale a pena começar essa viagem no tempo dentro do universo feminino.
Ficha técnica
- Direção: Hebe Alves
- Elenco: Aicha Marques, Lulu Pugliese
- Cenografia: Zuarte Júnior
- Figurino: Zuarte Júnior
- Iluminador: Fábio Espirito Santo , Fernanda Mascarenhas
- Operação de Luz: Fernanda Mascarenhas
- Operação de Som: Victor Alves
- Produção: Milena Leão
- Roteiro: Aicha Marques, Hebe Alves, Maria Menezes
- Sonoplastia: Brian Knave
- Estado: Bahia
- Cidade: Salvador
