O escritor português António Lobo Antunes morreu nesta quinta-feira (5), aos 83 anos, em Lisboa. A informação foi confirmada pela editora Leya, grupo ao qual pertence a Dom Quixote, responsável pela publicação de grande parte de sua obra. Considerado um dos principais nomes da literatura contemporânea em língua portuguesa, Lobo Antunes deixa mais de três dezenas de romances traduzidos para diversos idiomas.

Nascido em Lisboa em 1º de setembro de 1942, Lobo Antunes formou-se em Medicina e especializou-se em psiquiatria. Entre 1971 e 1973, serviu como médico do Exército português na guerra colonial em Angola, experiência que marcaria profundamente sua obra literária e se tornaria um dos temas recorrentes de seus livros.

Sua estreia ocorreu em 1979, com Memória de elefante, romance de forte caráter autobiográfico. No mesmo ano, publicou Os cus de Judas, obra que consolidou sua reputação e explorou, com tom crítico e introspectivo, os traumas da guerra colonial. Ao longo das décadas seguintes construiu uma carreira prolífica, com títulos como Fado alexandrino, Manual dos inquisidores, O esplendor de Portugal, Eu hei-de amar uma pedra e Sôbolos rios que vão.

Sua escrita é conhecida pela complexidade formal, com narrativas fragmentadas, alternância de vozes e forte exploração da memória e da subjetividade. Esses elementos fizeram de Lobo Antunes uma figura central na ficção portuguesa posterior à Revolução dos Cravos, frequentemente citado como um dos maiores romancistas europeus de seu tempo.

Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios literários, entre eles o Prêmio Jerusalém (2005) e o Prêmio Camões, concedido em 2007, o mais importante reconhecimento para autores de língua portuguesa. Durante anos também figurou entre os nomes apontados como possíveis vencedores do Prêmio Nobel de Literatura.

Com uma obra que ultrapassa quarenta livros e foi traduzida para dezenas de idiomas, António Lobo Antunes é considerado um dos escritores portugueses mais lidos e influentes das últimas décadas.