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Mar13

Maria do Rosário Pedreira

No último dia das Correntes d’Escritas na Póvoa de Varzim, tive o gosto de ir ao palco receber um prémio de Design de Obra para Livro Escolar. O livro premiado – Mãos à Obra, da disciplina de Educação Tecnológica – é editado pela LeYa, mas infelizmente nenhum dos meus colegas das edições escolares, incluindo o director gráfico, Luís Alegre, podia deslocar-se à sessão de entrega, e fiquei orgulhosa por terem delegado em mim a incumbência. Admiro muito o que se faz hoje na edição de manuais (quando eu estudava, os livros eram tão feios e frios que nem apetecia estudar) e não raro observo como os seus editores são autênticas formiguinhas, tentando cumprir os prazos que, se falham, podem deitar a perder o trabalho de um ano inteiro. Dantes, tanto quanto sei, os autores de manuais estavam dispensados de dar aulas, mas agora têm de cuidar dos alunos e dos livros ao mesmo tempo, o que não deve ser nada fácil. Isso provoca naturalmente um stress danado também em quem os publica, pois há datas específicas para apresentação dos novos livros aos docentes e, se os autores se atrasam, é fácil que outros editores consigam chegar-se à frente e ver os seus livros adoptados. Já aqui referi que tenho uma grande admiração pelos colegas que trabalham na área escolar e reafirmo-o. Esta é a época em que vejo as formiguinhas saírem da toca, sempre rodeadas de provas e papelada, sempre em reuniões com professores, sempre de portáteis abertos exibindo páginas que ainda não são as finais. Têm pouco tempo para tanto… Nem os meninos imaginam, ao abrir os livros na sala de aula, o trabalho que tudo aquilo dá.