Ando há uns dias para vir aqui escrever um post sobre o tempo, a falta dele e a forma como tenho a certeza que um minuto nem sempre é um minuto, como nem todas as horas têm os mesmos minutos ou como a percepção é uma coisa engraçada. Não me saiu nada de jeito, deixo a aqui a ideia, já perceberam, fica feito.

Ando um bocado perdida nas leituras, depois de ter conseguido reduzir a lista de livros em andamento a 1, The blue between Sky and Water, da Susan Abulhawa, voltei a enfiar-me num poço sem fundo e comecei a ler o Anna Karénina e o The Blind Assassin, da Atwood. Razões como "apeteceu-me" não chegam para justificar esta loucura mas é o que temos. O resultado? Todas as leituras se vão arrastar no tempo. Eu não era esta pessoa mas a trindade livro físico/ebook/audiobook trocam-me as voltas e dá nisto. 

O que se está na passar com a atribuição dos prémios Hugo é mais um sinal do fim dos tempos como os conhecemos. Em Portugal pouco se tem falado deste escândalo (ainda não vi nenhum artigo nos media portugueses - se estiver enganada, óptimo, deixem-me aqui o link, por favor), fico na dúvida se o silêncio é porque a FC e a Fantasia são géneros menores ou se é melhor não chatear os senhores chineses. Afinal, vivemos em tempos em que, desde que o dinheiro escorra, os regimes são fofinhos, não é? 

E a IKEA? Confesso, ri-me. Compreendo as críticas à campanha publicitária mas não acredito que a empresa vá perder muitos clientes, saia prejudicada na sua imagem por causa disto (em PT não temos a tradição de ter boa memória) ou que alguém deixe de votar naquele partido por causa disto - eu sei que acabei de dizer que não temos a tradição de ter boa memória mas porra, isto aconteceu ainda agora, não só ninguém se esqueceu como na campanha não se vai falar de outra coisa. E não há uma boa forma de "encaixar" este género de coisa. Acho que o menos mau seria o silêncio.

E por falar em eleições, estamos lixados, não é? 

Enfim, temas mais interessantes. Tive uma bela conversa numa rede social onde (ainda) se pode discordar sem insultos sobre o sentido que faz, ou não, escolher os livros pelo género dos escritores. Ainda hei-de cá vir escrever um (provavelmente) longo post sobre o assunto, que me interessa bastante. Fica a promessa.