Capa_N‹o conte a ninguŽm_15mm

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

“David Beck e sua esposa Elizabeth comemoram o aniversário de seu primeiro beijo quando uma tragédia interrompe o clima de romance: Elizabeth é brutalmente assassinada. O caso acaba sendo resolvido e o assassino, condenado. No entanto, David não consegue superar a morte de Elizabeth. Depois de oito anos, ainda se lembra de todos os detalhes. Mas é no dia do aniversário de morte de Elizabeth que a história realmente começa. Uma estranha mensagem aparece no computador de David, uma frase que somente ele e a esposa conhecem. De repente ele depara com o que parecia impossível – em algum lugar, de alguma maneira, Elizabeth está viva. Ele é advertido para que não conte a ninguém e envolve-se em um sombrio e mortal mistério, sem saber que já está sendo seguido por alguém que o tentará deter antes que descubra toda a verdade”.

Bem, é um thriller policial :D. Rendeu um bom filme na França (o qual pretendo ver ainda), ganhador de alguns prêmios, assim como o próprio romance. Fiquei curioso para ler (mas já sabia o que me esperava). Quem já leu algum romance de Dan Brown, ou mesmo, Nicolas Spark (sim, eu li Querido John, e não me orgulho disso), consegue perceber as similaridades entre esses romances YA (Young Adult), tanto na escrita, ganchos, clichês, macetes (o que deixa transparecer a impressão de que o autor – falo agora especificamente do Coben – já se utilizou repetidas vezes – noutros livros – das mesmas experiências, frases, conflitos, ao ponto de, nessas 100 primeiras páginas, precisar repetir, no mínimo, cinco vezes, as frases “sei que parece clichê”, ou, “sei que é clichê”, chegando ao absurdo de eu começar a sentir vergonha alheia. Outro ponto também similar entre os livros supracitados é que tudo aqui pareceu ter sido pensado para descambar num filme (e descambou, realmente). Não que isso seja necessariamente ruim, mas não é bom. Fica tudo muito no lugar-comum, tudo muito encaixotado, mesma fórmula…

Não vou mentir, a leitura prende. A fórmula dos capítulos curtíssimos que se fecham sempre da mesma maneira (uma pequena, média ou grande revelação o espera no início do próximo) nos deixa curiosos, forçando-nos a continuar. Às vezes, irrita. Mas, como eu já falei, sabia que esse tipo de coisa me aguardava..

Uma leitura bobinha, mas não completamente descartável. Suas 250 páginas podem ser lidas tranquilamente em duas horas, duas horas e meia, talvez bem menos (como estou estudando para concurso, reduzi minha leitura para os intervalos de descanso entres as disciplinas). Por ter sido pensado como um filme, e um filme de Sessão da tarde, e como os filmes da Sessão da tarde não são mais os mesmos do meu tempo, e se você gosta de ler mas não quer suar sangue numa leitura à Dostoievski, Faulkner, Thomas Mann, recomendo esse romance ao invés das baboseiras que estão passando na TV.