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| Fotografia da minha autoria |
Tema 44: Floco de Neve + Cogumelo
As promessas permaneceram, em surdina, nestas casas desabitadas que se escondem em nós. E eu fui ficando, perdida nas memórias que, um dia, foram pedaços de uma ilha por explorar a dois. Hoje, já nada há para pronunciar, embora o meu olhar te procure, como se fosses um floco de neve a cair no parapeito exterior.
Para-me o peito e eu sei que é tempo de sair. Não me deste a mão e eu cedi ao abismo desta ausência inevitável e unilateral, apenas adiada pelo meu dialeto utópico. Perdoa-me por não te largar, mas, ao longe, bem distante daqui, a tua voz ecoa no jardim. Quando é que tornaste num perfeito estranho? Numa miragem?
Sinto-me a caminhar numa corda bamba, com feridas por sarar. Já fiz as malas, no entanto, ainda não parti. Dói-me o corpo todo, por isso, talvez me deixe ir na corrente da brisa gelada, até dissolver a mágoa e desaparecer. Continuas longínquo e eu presa aos meus fantasmas, ao passado que estilhaçou e que nunca se recomporá. Fomos, consigo perceber agora, muitos passos em falso. E, desta estrada, eu fiz o meu chão.
Os cogumelos que brotavam no nosso quintal, e que tantas horas passamos a colher, já não crescem. O que poderia florescer, queimou com o silêncio. E o inverno, que aumenta em mim, veio para não mais ir embora.
