Fotografia da minha autoria

«A leitura abre, na nossa frente, a possibilidade de adentrar mundos desconhecidos»

A pilha de livros por ler oscila, mas há sempre um desejo transversal ao ter mais ou menos exemplares disponíveis nas caixas de madeira: o de acompanhar novos lançamentos, adicionando-os às minhas listas.

Vou anotando os títulos que me interessam em folhas soltas, em post-its no computador, no Notion, nas notas do telemóvel, até que, depois, os organizo a todos na Wook - e agora que nos permite criar várias listas é muito mais fácil tê-los divididos por categorias. Neste processo, é claro que acabo por espreitar as novidades.

Abril foi a minha primeira pausa no Book Buying Ban, que estabeleci para este ano, portanto, a não ser que algo o impeça, só volto a comprar livros na Feira do Livro do Porto. Mas isso não invalida que esteja entusiasmada com as propostas que estão em pré-lançamento ou que ficaram disponíveis muito recentemente. Ter a possibilidade de abraçar novas histórias é mesmo um impulso extraordinário para desbravarmos tantos horizontes desconhecidos - já para não mencionar o quanto é gratificante ver a aposta em novas vozes.

Para esta dinâmica, e já a pensar em investimentos/desafios futuros, selecionei sete obras literárias.

TRIBUNA NEGRA, CRISTINA ROLDÃO, PEDRO VARELA 

E JOSÉ AUGUSTO PEREIRA

«Poucas pessoas saberão que, entre 1911 e 1933, Lisboa foi palco de um movimento negro que combateu o racismo, exigiu direitos para as populações nos territórios colonizados e criticou sistematicamente, embora por vezes de forma ambivalente, o colonialismo, chegando mesmo a dialogar com formas de internacionalismo negro, como o pan-africanismo. Este livro, que resulta de um longo e aprofundado trabalho colectivo de pesquisa, percorre a vida desta geração, dos seus inúmeros jornais, organizações e activistas, até ao ponto em que a ascensão da ditadura, a perseguição política dos seus mais destacados militantes e as contradições internas selaram o seu destino».

PORTO, MANEIRA DE OLHAR, JOÃO PEDRO MÉSSEDER

«Entre registo autobiográfico e memorialístico, evocação e crónica, Porto, Maneira de Olhar é uma viagem pessoal por lugares marcantes de uma cidade marcante - por ação das gentes que nela vivem ou viveram, e que a fazem e a fizeram cidade, pela sua História, pela singularidade dos cenários e pelos artistas que a fizeram reverberar ao longo dos tempos. Mas este livro é também, aqui e acolá, uma revisitação de etapas peculiares da vida do próprio autor».

AMOR ESTRAGADO, ANA BÁRBARA PEDROSA

«Dois irmãos contam a dissolução de uma família. Manel casou com Ema, e foi até que a morte os separasse como enfim os separou - pelas mãos dele. Habituado ao álcool e incapaz de lidar com as frustrações, não era a ele que mãe e irmãos deviam o amor sem reservas? Zé, casado, agora com três filhos, não vê no sangue uma desculpa para a vida do irmão. Pela mão da violência, que é pedra de toque, assistimos a uma família cujos laços se desfazem. E à vida transformada noutra coisa».

Nota: Se já li algo da autora? Não. Mas, pelas sinopses e algumas opiniões, quero ler tudo o que escreve.

VIRADAS DO AVESSO, JOANA KABUKI

«Berta, Alice e Carlota são inseparáveis. Jovens e inocentes, desconhecem que a força do passado não encontra limites. Na sequência de um trágico acontecimento, Berta desaparece. A brutalidade dos eventos muda irremediavelmente as suas vidas, condicionando as suas escolhas e os seus caminhos. Vinte anos depois, Berta reaparece de forma tão enigmática como desaparecera. O reencontro das três mulheres origina o desfiar de memórias difusas e revela segredos e traumas há muito encarcerados. Ao invés de verem sarar as feridas, confrontam-se, uma vez mais, com novos e profundos golpes».

MANUAL DE INSTRUÇÕES, NUNO MARKL

«Contada e desenhada pelo traço divertido, expressivo e cheio de humanidade do Miguel, esta é uma das minhas histórias mais pessoais - uma reflexão sobre o fim do meu casamento e uma espécie de literal autoajuda para a minha própria falta de equilíbrio entre trabalhar e viver. Decidi que tinha mais piada se o protagonista não fosse eu, mas um tipo que dá tudo no ofício de escrever manuais de instruções para eletrodomésticos. Ele é o Saramago dessa arte tão pouco cantada. E um dia, com a improvável ajuda de um ladrão de casas, tem uma epifania: a única maneira de ser melhor pessoa é usando a sua arte para escrever o manual de instruções para a sua própria vida».

LEME, MARLENE SÁ FERNANDES

«Nenhuma criança conhece de antemão os nomes das coisas, mas todas as crianças reconhecem instintivamente o perigo. Para a protagonista desta história, o perigo tem o nome de um homem, e é sinónimo de obsessão, desequilíbrio, solidão, desamparo, poucas certezas e muitas dúvidas. Leme é um golpe de escrita para regressar à vida. Uma cintilação plena de vida e um soco no escuro que nos engole: eis um livro que aponta diretamente aos limites do bem e do mal».

BAIRRO DAS CRUZES, SUSANA AMARO VELHO

«O Bairro das Cruzes é a história da Luísa. E da Rosa. É a história das cruzes que se carregam desde a infância e que condicionam escolhas. Caminhos que se seguem e outros que se evitam. O Bairro das Cruzes mistura comunistas e PIDE e sobrevive às cheias de Lisboa. Carrega um fardo pesado e agarra à terra quem lá nasceu. Numa história que podia muito bem ser a nossa, Susana Amaro Velho mostra-nos como as raízes, a família e os laços que criamos na infância podem influenciar-nos para sempre. Faz nos rever os nossos avós, numa narrativa rápida e pontuada por detalhes cheios de humor, num romance que revela as gentes e as histórias do Portugal dos anos setenta».

Nota: Já li esta história e é, aliás, uma das minhas favoritas. Mas esta nova edição 

reescrita e com esta capa absolutamente maravilhosa - tem de vir morar cá para casa.