Por José Eduardo Ribeiro Nascimento
Ontem estava com vontade de ir ao cinema, e foi pesquisar qual seria a melhor opção. Encontrei este de Woody Allen, e pensei, por que não? Terminada a sessão afirmo que o filme se resume bem em sua primeira frase, uma citação de Shakespeare: “A vida é cheia de Som e Fúria, e, no final, isso não significa nada”, talvez tirando a parte do som e da fúria. O enredo não se propõe a retratar momentos fascinantes ou surpreendentes na vida de um conjunto de pessoas, mas um tipo de história rotineira, o dia-a-dia. Vamos as considerações:
Começando pelo grupo cinematográfico em que o filme deveria se encaixar: comédia romântica. De certo que não se trata de uma comédia, pois ninguém no cinema riu, nem mesmo de deboche. Em segundo lugar, não deve se tratar de um filme romântico, pois não há “romance”. Tudo gira em torno de divórcios, casamentos que não dão certo, e a busca de relacionamentos novos e de caráter duvidoso. Assim, para Leonardo, que é um romântico declarado, e já afirmou mais de uma vez que não gosta de filmes que tratam da temática felicidade sem casamento (talvez esse não seja o termo mais indicado, mas enfim, eu concordo quase que totalmente com ele), esse filme seria/será detestável.
Sobre o enredo, temos Alfie (Anthony Hopkins) e Helena (Gemma Jones), casados há quarenta anos e que se divorciam por que aquele quer ser mais jovem, e esta é sincera demais, dizendo a seu marido que ele já está velho de mais para certas coisas. Alfie conhece uma mulher com metade de sua idade, com quem se casa e acaba ganhando problemas, e Helena busca ajuda no ocultismo, nas estrelas e nos espíritos, onde acaba encontrando um senhor com quem começa uma relação. Sally (Naomi Watts), filha do casal acima, é casada com Roy (Josh Brolin), um escritor falido, que não escreve nada de bom há anos. Entre problemas financeiros e outros, Sally se apaixona por seu chefe, Greg (Antonio Banderas), cujo casamento também está por um fio, e Roy pela vizinha da janela, a mulher de vermelho, a qual está noiva de um rapaz sem muita importância.
A partir do parágrafo acima, podemos ver do que o filme se propõe a tratar: casamentos fracassados, e novos relacionamentos extra-conjugais por prazer ou paixão, mas o amor, o amor de verdade não está no filme.
Não gostei do filme. Não que o filme seja terrível, ruim ou algo do tipo. Só é uma perda de tempo; ele não diz nada, não acrescenta. Você passa quase duas horas na sessão e depois pensa, o que aconteceu? O que foi que eu fiz nos últimos 90 minutos? É até difícil dizer algo sobre ele, uma vez que o filme diz muito pouco.