Assinala-se hoje o Dia Internacional da Língua Materna. Este dia foi criado durante a 30.ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas, realizada em 1999, por iniciativa do Bangladesh, como forma de destacar e reconhecer os estudantes que tinham lutado pelo reconhecimento da língua bengali no Bangladesh em 1952. Cerca de três anos mais tarde, seria reconhecida pela ONU.

Netsa data, pretende-se sublinhar a importância da diversidade cultural e linguística, bem como sensibilizar para a tolerância, o respeito e a preservação do património cultural e linguístico dos vários povos do mundo. Mas que importância tem a Língua Materna? Língua é o valor maior de um povo, o que nos une. É na língua que aprendemos em casa que construimos os nossos primeiros pensamentos, em que se dão as nossas primeiras conversas, pedidos, discussões. A expressão "materna" vem de mater (mãe), as primeiras a educar a criança na maioria das culturas, as que as ensinavam a comunicar, a falar. Tem uma forma ligação cultural e relaciona-se diretamente com os costumes e tradições, à constante étnica e até religiosa de uma comunidade. É a expressão da agregação, é a casa, é o lar. 

É como quando alguém vai ao estrangeiro e, de repente, escuta a sua língua a ser falada e se sente logo mais acompanhado. A língua materna tem também a sua natural informalidade, os seus arcaísmos e tradicionalismos que quantas vezes se afastam do gramaticalmente aceite ou do linguísticamente correto. São também as expressões da infância, é o sotaque que regressa quando voltamos a casa dos avós ou conversamos ao telefone com uma amiga de infância.

"Ah pariga, atã nã viste quem ia no desfile?"

São as manias e as imprecisões. As palavras cortadas... mas são também os grandes autores nacionais. O nosso Pessoa e Camões, tão diferentes entre si, tão irreverentes na forma de ser e de estar.