Fotografia da minha autoria

«Se até as estações mudam, qual a razão de permanecer igual?»

As gavetas da minha casa encantada não é um diário. Mas é um refúgio. E procuro torná-lo num lar permanente, onde me sinta bem e onde quem chega se sinta com vontade de ficar. Por isso, vou decorando esta casa com aquilo que mais me define, sem ter receio de reinventar traços e de arriscar outros registos. Porque fascina-me esta procura por uma personalidade singular. É assim que me descubro e que ganho asas. E, portanto, houve pequenas mudanças que me fizeram sentido abraçar.

A vontade foi conquistando espaço no papel, até que teve força suficiente para se representar fora desta caixa criativa que habita na minha imaginação. Assim, através de um subtil impulso, construí alternativas para um trabalho que não perderá a sua bagagem, mas que terá, se assim for possível designar, uma versão 2.0. Despedi-me, então, de segmentos que começaram a perder lugar, como O que fala ao coração. E deixei Doce ou Salgado q.b.Diz-me por onde andas e O que li por aí em suspenso, pois pretendo alterar-lhes o nome. Por oposição, há rubricas que renasceram com outra identidade.

Pão de Forma: A icónica carrinha da Volkswagen tem um significado muito especial. É já uma imagem de marca pessoal. E é um dos elementos que associo diretamente a viagens [principalmente, em família]. Por isso, foi a escolha óbvia para substituir À Boleia do Mundo. A essência permanecerá a mesma - e nem sequer modificarei o que está publicado -, apenas adotei uma nova designação.

Polaroid: Há algo de mágico nestas máquinas/fotografias instantâneas, como se pudéssemos sentir as memórias no imediato. E, por essa razão, veio reformar O mundo por olhos tom de castanha. Uma vez mais, só se substituirei o nome, porque todo o conteúdo permanecerá inalterável.

Em simultâneo, pretendo terminar com as publicações numeradas - com exceção d' As minhas viagens de metro, M de... e do Pensamento Periclitante -, atribuindo um destaque maior aos lugares, às pessoas, aos livros, uma vez que é esta valorização que me move. Além disso, queria expressões mais curtas, que me permitissem conjugar todas estas vertentes. Claramente que 2019 me reservou algumas metamorfoses. E isso é percetível nesta necessidade de reformular os contornos do meu projeto mais especial. Tenho plena consciência de que são detalhes. No entanto, são eles que me encaminham na direção certa, fortalecendo os nós, estreitando as ligações e aumentando a vontade de criar com regularidade - num ritmo que pode ser alucionante, mas que me entusiasma, quase como se abrisse a gaveta pela primeira vez.

As alterações começaram em abril. Porém, é a partir de maio que ficarão visíveis. Sejam sempre bem-vindos à minha casa. Por mais mudanças que existam, encontram-me inteira por trás de cada palavra.