11
Fev21
Maria do Rosário Pedreira
Estava à procura de um livro de poesia de um autor brasileiro e encontrei por acaso um pequeno romance que não tinha chegado a ler até ao fim (tinha lá a marca no sítio onde fiquei e tudo). Depois lembrei-me que o levei há uns dez anos numa viagem de avião e que, ao regressar, tinha provavelmente livros urgentes para ler e o resto daquele ficou a aguardar melhores dias. Perdi-lhe o rasto (o Manel deve tê-lo arrumado entretanto na estante) e só agora voltámos a encontrar-nos. Tirei-o da prateleira e tive de o ler de fio a pavio. Chama-se Budapeste e escreveu-o Chico Buarque (sim, o grande Chico). É a história de José Costa, um ghost writer carioca (e eu, antes de recomeçar a leitura, achava que o protagonista era um tradutor...); por causa de um problema inesperado numa viagem aérea, José vai parar a Budapeste e acaba por lá ficar a aprender a língua esquisitíssima com uma mulher de pele incrivelmente branca com quem acaba por ter um relcionamento amoroso; José estava, porém, muitíssimo bem casado com Vanda, uma locutora de telejornal no Rio de Janeiro, de quem tinha um filho e para quem volta um dia, aborrecido com a professora húngara que o sufoca. O livro vai viajando entre Budapeste e o Rio, e o escritor-fantasma vai escrevendo livros para outras pessoas sem se importar com o anonimato até que, um dia, escreve um romance para um senhor alemão arrogante (um romance supostamente autobiográfico), e Vanda apaixona-se pelo livro (e quiçá pelo autor). Budapeste é cheio de voltas e reviravoltas e fala da identidade de um escritor e da relação entre anonimato e reconhecimento público. Não me lembrava nada do que tinha lido, caramba. Deve acontecer com muitos livros...