Quantas livrarias lindíssimas haverá em Paris?

Estava a fazer a Blvd St. Germain, lado a lado com o melhor companheiro do mundo, num Domingo - dia em que, tradicionalmente, as lojas de rua estão fechadas, incluindo livrarias (excepto a Shakespeare and Company, que se afirma orgulhosamente aberta 7j7), quando me deparei com L'Écume des Pages, aberta. Maravilhosa localização: mesmo ao lado do Café de Flore, um dos cafés mais antigos da cidade, notoriamente frequentado por Georges Bataille (que já esteve na minha wishlist, mas depois de perceber que tinha sido influenciado pelo trabalho do Marquis de Sade deixou de estar), Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre (que usavam o café como escritório), Albert Camus, Picasso, Zadkine, entre outros nomes conhecidos.

 

Talvez o nome da livraria seja inspirado por L'écume des jours, de Boris Vian, que também frequentava o café do lado; entrei na livraria e fiquei imediatamente fascinada com o aspecto, a beleza das estantes preenchidas, o charme antigo. Há inclusive uma estante dedicada a edições em inglês, mas, em vez de ter literatura francesa em inglês (algo que acho que devia ser uma aposta maior por Paris, dada a afluência de turistas), tinha maioritariamente literatura contemporânea.

 

E talvez comprar um livro de Boris Vian tivesse sido o mais adequado à ocasião, mas comprei a edição de L'Étranger, de Camus, em Banda Desenhada, publicado em 2013 pela ocasião do centenário do autor. França (juntamente com a Bélgica) tem uma fortíssima tradição de banda desenhada - como já disse antes, há mais estantes de banda desenhada na Fnac aqui que de literatura traduzida numa Fnac portuguesa -, e tinha o livro já debaixo de olho.

 

Ganhou rapidamente o título de minha livraria preferida em Paris. Lamento, Shakespeare & Company. Voltei lá uma semana depois, meio por acaso - fui ao Musée Delacroix, por ser primeiro Domingo do mês, logo, grátis (poupo-vos a visita - não vale a pena, infelizmente; vejam antes os frescos de St. Sulpice, que é grátis, ou La Liberté guidant le peuple, no Louvre), e a livraria é muito perto. Veio um clássico infantil de renome - a Histoire de Babar, o elefante da nossa infância* - e as ilustrações de Paris da autoria de Sempé (conhecido por ser, juntamente com René Goscinny, co-autor de Le Petit Nicolas).

* Estou a par das acusações de racismo e colonialismo em torno de Babar, especialmente no que toca ao segundo livro, que não comprei precisamente por causa disso; mas quero ler e apreciar por mim.