contos inacabados

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Contos Inacabados é meu quinto livro de Tolkien. Antes dele li O Senhor dos Anéis, O Hobbit, O Silmarillion e Mestre Gil de Ham. Não é segredo nenhum que meu estilo literário preferido é a literatura fantástica, e dentro desse conjunto, Tolkien impera como meu preferido por vários motivos.

Tolkien é conhecido por ser super descritivo. E é esse “excesso” de descrição que torna sua obra tão atraente. E quando falo em excesso de detalhes, não me refiro à descrição física do mundo, que sim, é rica e impecável, mas principalmente à construção do universo. A cada página que viramos, sentimos todo o feeling da Terra Média, como se realmente estivéssemos a viajar em um mundo possível, palpável. Nos sentimos em casa no condado. E morremos de vontade de poder passar uma temporada de férias em Imlandris (Rivendell/ Valfenda). Mas por quê?

Tolkien criou idiomas, culturas, se preocupava com cada personagem, com árvores genealógicas, com a mudança que o nome dos rios/regiões/florestas sofriam ao longo do tempo, levando em conta os povos que viveram na região nas diferentes eras do mundo. Se, por exemplo, Legolas cita uma fato da primeira era do mundo, sobre um elfo lendário, essa história não é ilustrativa. Ela é real. Tolkien escrevia incessantemente, construindo uma cronologia de quatro grandes eras (a terceira era encerra com os fatos ocorridos no livro O Senhor dos Anéis).

Tendo isso em mente, podemos falar sobre Contos Inacabados. A maior parte da obra de Tolkien foi publicada postumamente. Perfeccionista como era, Tolkien escrevia vários e vários esboços da mesma história, alterava constantemente fatos para uma forma que enquadrasse melhor cada elemento que criava. E dificilmente ficava satisfeito. A partir desses textos, Christopher, seu filho, publicou O Silmarillion, livro preferido pelos fãs, que narra histórias da primeira era do mundo, e depois Contos Inacabados, que como o próprio nome diz, Tolkien não havia entregado uma versão pronta dessas histórias. Em algumas delas, seu filho teve que se utilizar de 2 ou mais versões da mesma história, algumas vezes textos manuscritos, discutindo, no livro, qual texto deveria ser adotado como oficial para a cronológica da Terra Média.

Dentre os vários contos do livro, destaque para a história de Tuor, avô de Elrond meio elfo, na qual ele encontra Ulmo, vala da água (capa do livro); Uma descrição da ilha de Númenor, e alguns de seus mais virtuosos reis (Númenor era uma ilha povoada por uma raça de homens, os dúnedain, que fundaram o reino de Gondor na Terra Média, antepassados de Aragorn); É contada a história de Galadriel, rainha de Lothlorien, uma das elfas mais poderosas em todas as eras (interpretada por Cate Blanchett na trilogia de filmes); Há um belo relato sobre a formação militar de Rohan, e como os dois reinos tornaram-se aliados; Conta-se como Gandalf encontrou Thorin Escudo de Carvalho, e por que resolveu escolher um Hobbit para participar da difícil missão em Erebor; A origem dos Istari, os magos (Gandalf, Saruman, Radagast, Alatar e Pallando), e as Palantiri, as sete pedras videntes.

Contos Inacabados é uma leitura lenta. Algumas vezes é como ler um livro de história. Mas é recompensador. Para quem gosta da Terra Média, o livro é indispensável. Mas se nunca houve um contato com a obra Tolkeniana, não é uma boa ideia começar por ele.

3 estrelas em 5.