Fotografia da minha autoria

«Uma mulher, outra mulher - e um homem»

Avisos de Conteúdo: Sexo, Linguagem Explícita

O que certos livros procuram contar pode retirar-nos - por completo - da nossa zona de conforto. Embora tente estar a par do tema central do enredo, há momentos em que aprecio partir para a leitura sem muitas informações. E foi o que fiz com a obra de Mónica Marques, que abracei por sugestão do Clube do Livra-te.

CONVERSAR SEM PUDOR

Para Interromper o Amor tem uma premissa cativante, focada numa realidade particular, até porque acredito na importância de narrativas que explorem os vários tipos de amor, de atração e de envolvência com a sexualidade, sobretudo, quando o fazem sem qualquer pudor, porque são assuntos transversais que deveriam ser encarados - e retratados - com naturalidade. No entanto, para mim, a sua concretização não resultou.

«Há pessoas que entram nas nossas vidas e não saem nunca mais»

Escrito a três vozes, com uma estrutura pouco convencional e ausência de uma história tradicional, permite-nos conhecer um triângulo amoroso, cuja dinâmica se estende por inúmeras provocações. Além disso, aborda a perceção do medo, da adrenalina, da infidelidade e dos limites, com apontamentos de mentira, desejo e culpa. Por oposição, senti os protagonistas com um toque de sobranceria que se revelou desnecessário.

«As pessoas que escrevem vivem nos livros que estão a escrever. Pessoas que escrevem 

vivem nos livros que ainda vão escrever e fazem dos livros as vidas que não podem ter»

A narrativa tem um ritmo célere, talvez pelos capítulos curtos, mas revelou-se desconexa, por vezes confusa, algo repetitiva e perdida em pensamentos que acrescentam pouco ao seu propósito. A escrita da autora é interessante e apreciei a franqueza sem floreados nas suas palavras, no entanto, merecia outra abordagem.

UM PEQUENO CAOS DE EMOÇÕES

Para Interromper o Amor faz-nos pensar sobre a vida, sobre amor, sobre sexo. E há passagens que transmitem a sensação de estarmos a conversar com alguém próximo. Mas também há diálogos que parecem demasiado forçados. Atendendo à temática central, tinha potencial para ser mais e despertar uma união devastadora.

«Não sei esperar por ninguém. Devia aprender a esperar. 

Saber esperar é das coisas mais importantes da vida»

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