Fotografia da minha autoria

«Tudo passa, o vento voa»

O que me consome são os silêncios

Do que guardamos por orgulho

Assumindo a ausência

E o peso das palavras caladas

A gritarem dentro do peito

Mas que insistimos enclausurar

E um dia já não estaremos aqui

A sentir a brisa da madrugada

E nessa hora onde tudo dói

Deixamos de ocultar os segredos

Que cresceram do medo da não correspondência

Mas um dia já não estaremos aqui

E o que guardamos em nós

Não será mais do que pó

Sem alguém para apanhar os cacos

Em surdina, observando o amanhã

Ainda escuto Miguel Araújo

A cantar que tudo passa

Mas que por tudo o que ainda há-de vir

Nós ainda estamos aqui

Só que eu já não te tenho a ti

Já partimos para outro lugar

E no horizonte do que abraço

Permanecemos como uma mera memória

Num deserto de amores desfeitos