Cecilie é ainda uma menina mas a doença já faz parte da sua vida e impede-a de fazer aquilo que gosta: esquiar e brincar na neve. À noite, quando se encontra só, começa a ser visitada por Ariel, um anjo com quem mantém conversas acerca das diferenças da vida na terra e no reino celestial. Um livro todo ele doce, com uma forma suave de abordar a dor e a morte de uma jovem, da sua própria aceitação e das reflexões que ela vai fazendo ao longo de toda a narrativa.
Jostein, começa por nos levar à noite de natal, a partir da qual começamos a entender que Cecilie já não é capaz de estar com a família, encontrando-se em cuidados paliativos no seu quarto. A fantasia leva-a a conseguir sair de casa, dá-lhe liberdade, tira-lhe em parte a dor, a ansiedade e o medo. Os pais e a avó protegem-na e acompanham-na nesta reta final, mas Cecilie precisa de mais, precisa de sair de casa (nem que seja em sonhos ou com a ajuda do seu anjo), compreender o mundo à sua volta, reconciliar-se com a sua própria existência e com a sua conceção de um deus criador.
Na sua sinopse, podemos ler:
"No limiar da puberdade, Cecilie reflete ainda o brilho primordial do espanto que emana dos jardins da infância e faz fluir o diálogo com Ariel, com o mundo do outro lado do espelho. Acompanhada pelo anjo viaja numa "teodisseia" que, à luz da maiêutica socrática, faz a travessia das sendas labirínticas da incessante curiosidade perante os segredos da vida e do cosmo e assoma a uma invulgar proximidade com o mistério da criação. Um livro premiado que vem reconciliar a profundidade e a alegria."
Um livro que se lê num sopro, mas que nos deixa a refletir durante "horas" sobre o seu significado.
Fontes:
https://www.wook.pt/livro/o-enigma-e-o-espelho-jostein-gaarder/46439