A semana passada e parte desta semana passei-as com Itamar Vieira Junior em muitas atividades bonitas e concorridas ligadas à leitura: no festival Correntes d'Escritas, em comunidades de leitores na Maia e em Perosinho, em Santarém numa escola profissional onde me admirei com (e admirei) o silêncio de 400 jovens enquanto ouviam o escritor brasileiro, e também em Cascais. Foi nesta última cidade que, numa sessão com cerca de cem pessoas, aprendi uma coisa maravilhosa relativa a um programa que envolve pessoas que estão presas no Brasil. Sabendo como a leitura é muitas vezes salvífica e cria empatia, no Sistema Prisional brasileiro existe um projecto que permite aos reclusos a diminuição da pena através da leitura. Chama-se, creio, Remissão em Rede e, além de formar leitores, faz com que todos os reclusos que completam um livro e sobre ele escrevem, digamos assim, uma recensão ou um resumo possam beneficiar de uma diminuição de x dias da pena a que foram sentenciados. O programa está há quatro anos a ser pensado para Portugal e em breve vos darei notícias sobre o assunto. Hoje é só para dizer que sempre acreditei que os livros nos tornam mais livres e que por isso gostei mesmo desta ideia.
Ler para ser livre
Texto originalmente publicado em Horas Extraordinárias