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| Fotografia da minha autoria |
«Bem vindo a Mont-o-Ver!»
Avisos de Conteúdo: Alcoolismo, Doenças Terminais,
Violência Doméstica, Morte, Assassinato
O ato de abrirmos um livro e, perante a sua história, sermos capazes de reconhecer as paisagens que o envolvem e as pessoas que o povoam, ainda que faça tudo parte de um plano ficcional, é extraordinário, porque nos aproxima, porque nos transmite uma certa sensação de segurança - mesmo que, a seguir, nos tire o tapete. Mas isso só é possível quando nos cruzamos com um bom contador de histórias, como Maria Isaac.
UM LUGAREJO CHAMADO MONT-O-VER
O Que Dizer das Flores permite-nos conhecer o quotidiano da particular vila de Mont-o-Ver, um lugarejo que nos faz recordar a essência do nosso Portugal rural, onde todos aparentam conhecer-se como a palma da sua mão e onde há sempre muitas opiniões sobre as peripécias e os acontecimentos que marcam os seus habitantes. A partir da intimidade que os vai interligando, embora exista tanto a separá-los, perceber-se que há uma energia distinta, como se estivessem comprometidos com um segredo maior do que qualquer um deles.
«Há sempre quem mantenha a esperança em coisas boas
em tempos maus, e tente fazer o melhor com o que ainda lhe sobra»
A forma como a autora nos envolve no enredo é surpreendente, até porque fâ-lo através de um leque de personagens carismáticas. Há tanta verdade nos seus dilemas e interações, que eu senti-me parte do ambiente: como se me pertencessem os desaforos e os dramas. Compreendendo que cada interveniente ocupa um lugar muito específico na narrativa, abre-se um mundo de aparências que é necessário preservar.
«(...) e em coração carregado de otimismo, não resta espaço para medo»
Com um ritmo aliciante - e passagens com alguma poesia -, é uma história que nos mostra o peso do passado, dos juízos de valor, das coscuvilhices e dos silêncios que, por dentro, são tão audíveis e angustiantes.
SEGREDOS, FAMÍLIA E CRÍTICA SOCIAL
Este livro coloca em evidência o melhor e o pior do ser humano, com particular foco nas dinâmicas familiares desestruturadas, no impacto do alcoolismo, na violência doméstica e nas desigualdades sociais, ao mesmo tempo que recupera um acontecimento nefasto, que provocou tantos mal-entendidos. Na tentativa de encontrar as respostas que ficaram em suspenso, talvez a verdade venha despertar uma ferida ainda mais profunda.
«Vidas nunca devem comparadas, mas os contrastes
fazem-nos pensar nas escolhas feitas e oportunidades perdidas»
O Que Dizer das Flores tem uma crítica social subtil, mas poderosa. Com uma escrita enigmática, que nos transporta para um contexto cheio de camadas, há uma travessia moral e sentimental bastante interessante. E, ainda que me tenha custado a despedida, sei que dificilmente me esquecerei das pessoas de Mont-o-Ver.
«As pessoas só querem ser desejadas, necessárias para a construção de uma coisa maior»
|| Disponibilidade ||
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