Onde foram todas as flores?
Tanto tempo passou
Onde foram todas as flores?
Há tanto tempo atrás
Onde foram todas as flores?
Raparigas colheram-nas todas
Oh, quando irão aprender?
Oh, quando irão aprender?
Onde foram todas as raparigas?
Tanto tempo passou
Onde foram todas as raparigas?
Há tanto tempo atrás
Onde foram todas as raparigas?
Em busca de marido, todas elas
Oh, quando irão aprender?
Oh, quando irão aprender?
Onde foram todos os maridos?
Tanto tempo passou
Onde foram todos os maridos?
Há tanto tempo atrás
Onde foram todos os maridos?
Ser soldado, todos eles
Oh, quando irão aprender?
Oh, quando irão aprender?
Tanto tempo passou
Onde foram todos os soldados?
Há tanto tempo atrás
Onde foram todos os soldados?
Aos cemitérios, todos eles
Oh, quando irão aprender?
Oh, quando irão aprender?
Onde foram todos os cemitérios?
Tanto tempo passou
Onde foram todos os cemitérios?
Há tanto tempo atrás
Onde foram todos os cemitérios?
Em flores se fizeram, todos eles
Oh, quando irão aprender?
Oh, quando irão aprender?
O QUE FIZERAM DA CHUVA?²
(Malvina Reynolds, 1962)
Só uma leve chuva, caindo por toda a parte
As ervas erguem-se à melodia celestial
Apenas uma leve chuva, uma chuva breve
O que fizeram eles da chuva?
Apenas um rapazinho à chuva
A doce chuva há tantos anos caindo
E a erva desapareceu
O rapaz desapareceu
E a chuva ainda cai, como lágrimas desamparadas
O que fizeram eles da chuva?
Apenas uma leve brisa vinda do céu
As mãos das folhas tocam-se à sua passagem
Só uma leve brisa e algum fumo em seu seio
O que fizeram eles da chuva?
Apenas um rapazinho à chuva
A doce chuva há tantos anos caindo
E a erva desapareceu
O rapaz desapareceu
E a chuva ainda cai, como lágrimas desamparadas
O que fizeram eles da chuva?
O SOL QUEIMANDO³
O sol no céu queimando
Fios de nuvens lentamente vagueando
No parque abelhas preguiçosas
Nas flores entre as árvores zumbindo numerosas
E o sol no céu queimando
Agora o sol está a ocidente
Meninos indo para casa, finalmente
E no parque os enamorados
Aguardam a escuridão de dedos enlaçados
E o sol está a ocidente
Agora o sol está a afundar
Crianças ainda brincando sabem que é tempo de voltar
Bem no alto um ponto aparece
Breve flor rebentando, aproxima-se, não desvanece
E sol está a afundar
Agora o sol a terra tocou
Uma nuvem-cogumelo letal o amortalhou
A morte chega num ofuscante clarão
De calor infernal, deixa de cinza um borrão
E o sol a terra tocou
Agora o sol tem o seu degredo
Tudo é escuridão, ira, dor e medo
Destroços humanos, cegos e retorcidos
Tacteando de joelhos, de dor os gritos
E o sol teve o seu degredo
SENHORES DA GUERRA⁴
(Bob Dylan, 1963)
Venham Senhores da Guerra
Que construíram as grandes armas
Que fizeram os aviões assassinos
Que montaram todas as bombas
Que se escondem entre paredes
Que se fecham atrás de secretárias
Só quero que saibam
Consigo ver pelas vossas máscaras
Vocês que nunca nada fizeram
Apenas construir para devastar
Vocês brincam com o meu mundo
Como se um vosso brinquedo fosse
Metem uma arma na minha mão
E escondem-se do meu olhar
Voltam-se e para longe correm
Quando as balas rápidas voam
Como o Judas de outrora
Vocês mentem e enganam
Uma guerra global pode ser ganha
É o que querem que acredite
Mas vejo através dos vossos olhos
Através dos vossos cérebros
Como vejo através da água
Que corre para o escoadouro
Preparam todos os gatilhos
Para outros apertarem
Então recostam-se, observando
Quando a contagem dos mortos sobe
Escondem-se em vossas mansões
Enquanto o sangue dos jovens
Escorre dos seus corpos
E entranha-se na lama
Vocês instigaram o pior medo
Que poderia ser instigado
O medo de trazer
Crianças a este mundo
Por ameaçarem o meu filho
Por nascer e nomear
Não merecem o sangue
Que vos corre nas veias
Que sei eu
Para falar do que não devo
Poderão dizer que sou jovem
Poderão dizer que não tenho estudos
Mas há uma coisa que sei
Sendo mais jovem que vocês
Nem Cristo perdoaria
Aquilo que fazem
Deixem que vos pergunte
O vosso dinheiro é assim tão bom?
Acham que será possível
Comprar o vosso perdão?
Julgo que irão descobrir
Quando a morte vier para cobrar
Todo o dinheiro que juntaram
Jamais salvará a vossa alma
Espero que morram
Que a vossa morte venha em breve
Acompanharei o vosso caixão
Pela tarde pálida
Estarei a observar quando o baixarem
À cova que o espera
E sobre a vossa campa ficarei
Até ter a certeza que morreram
VÉSPERAS DE DESTRUIÇÃO⁵
(P.F. Sloan, 1965)
O mundo oriental está em ebulição
A violência resplandece, carregam-se balas
Tens idade suficiente para matar, mas não para votar
Não acreditas na guerra, que arma é essa que seguras?
Até no rio Jordão flutuam cadáveres
Uma e outra vez, meu amigo
Como não acreditas
Que estamos em vésperas de destruição?
Não compreendes o que tento dizer?
Não sentes os receios que hoje sinto?
Se carregam no botão não há como escapar
Não haverá ninguém para salvar com o mundo fechado num túmulo
Olha à tua volta, rapaz, é suposto assustares-te
E diz-me, então
Uma e outra vez, meu amigo
Como não acreditas
Que estamos em vésperas de destruição?
Tenho o sangue louco, parece coagular
Sento-me apenas a contemplar
Não posso distorcer a verdade, ela não conhece regra
Um punhado de Senadores não aprova leis
E as marchas, por si não trazem integração
Este mundo insano é demasiado frustrante
E diz-me, então
Uma e outra vez, meu amigo
Como não acreditas
Que estamos em vésperas de destruição?
E penso em todo o ódio que existe na China comunista
Põe os olhos em Selma, no Alabama⁶
Ah, podes ausentar-te por quatro dias
Quando regressares será o mesmo lugar de sempre
O ribombar dos tambores, o orgulho, a desgraça
Podes enterrar os teus mortos, só não deixes vestígio
Odeia o teu vizinho, mas não esqueças de dar graças