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| Fotografia da minha autoria |
- título inspirado numa frase dita por Inês Meneses -
Assusta-me o vazio, o fosso que se começa a sentir entre nós. E sabes o que é pior? É sentir que estamos confortáveis com essa decadência, com frases que se camuflam em banalidades como «não tinha algo de novo para contar» ou «não quis incomodar». Desde quando é que nos fechamos neste vácuo emocional?
Pode não ser amor, mas, entre duas pessoas que se querem tanto, há sempre assunto. Se não existir, inventa-se. Reformulo, é amor, mas um amor sem intenções românticas. É amor na certeza de não poder existir incómodo entre alguém que, por vezes, nos conhece melhor do que nós. É impossível que esta sintonia nos descoordene os passos. Recuso-me a aceitar que seja o fim da corrida e que, depois disto, não exista nenhum outro horizonte, como se tivéssemos chegado a uma rua sem saída. Tem de ser um equívoco qualquer.
Tenho medo de termos esgotado as palavras, de termos percebido que, afinal, não fazemos assim tanta falta na vida um do outro. Apoquenta-me que a ligação não seja assim tão forte e que se vá enfraquecendo aos poucos, até já não restarem sinais da nossa presença, sendo só a imagem de uma casa abandonada, a ruir.
Um dia, tudo muda: as pessoas vão embora, os sonhos desfazem-se e percebes que já estava tudo em mudança antes, apenas não quiseste ver isso. As pessoas já tinham partido, os sonhos já se tinham quebrado, até já havia destroços, porque estás desfeito por dentro, só que preferiste adiar e ignorar as evidências.
Detesto a insegurança deste silêncio imposto, mas a vista do outro lado do passeio chama-me e talvez seja o sinal que preciso para atravessar a rua e deixar de correr: não para atingir a meta, para atingir a liberdade.
