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... ser mais novo ou mais velho. Os vegetes nunca mais passavam a casa dos quarenta. Os pais, os padrinhos, os fiadores é que vinham testificar, caso se tornasse necessário.

A idade era pois uma convenção. Em consequência, no mundo vulgar dava-se a obnubilação do ano em que se havia nascido, para o homem comum essa data não tendo mais importância que a do primeiro dia do Génesis. Sem dúvida, ano a mais, ano a menos, não aquecia nem arrefentava. Os vários prolóquios, temperados alguns de certo faceto como: «esses e os que a burra mamou», esclarecem-nos sobre o rigor do facto cronológico pessoal.

Nasceu pois em 1525 e se foi um ano antes ou depois, nem por isso a arquitectura com que se venha a respaldar a vida de Camões, construída sobre a areia miúda de pequenos nadas como este, virá a terra. Teófilo, que tinha imaginação, e outros na sua peugada, valeram-se de subtis cálculos astrológicos para fixarem o ano, que não o dia, esse, maldito para todo o sempre, 

O dia em que nasci morra e pereça...

Storck fez as contas com lápis aritmético. Uns e outros acabaram por concordar com Severim e com Faria e Sousa que na segunda Vida remata: siguese que nació el año de 1524, y aun puede ser el de 1523.» ...

(continua)