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| Fotografia da minha autoria |
«(...) um último reduto de humanidade»
O paladar desperta memórias: de pessoas, de lugares, de situações. Como parte de uma sociedade que valoriza tanto o tempo à mesa, entre conversas e degustações, comove-me esta associação, porque creio que nos leva para um espaço familiar. E foi nesta harmonia que Filipe Melo e Juan Cavia se reencontraram.
UMA REFLEXÃO SOBRE ALGO MAIOR
Comer / Beber divide-se em dois contos: o primeiro, Majowski, é inspirado em factos reais e narrado por Beatrice Schilling, mostrando-nos que, «durante a Segunda Guerra Mundial, o polaco Franz Majowski esconde[u] uma garrafa de champanhe no cofre do seu popular restaurante em Berlim»; o segundo, Sleepwalk, é ficcional e retrata a «viagem de um homem pelo interior da América», impulsionada por uma tarte de maçã.
«Ajuda-me a fazer as malas. Acho que encontrei uma solução»
As narrativas aparentam ser independentes, mas há laços que as unem, porque são ambas sobre amor e resiliência; são ambas sobre empatia e sobre o quanto gestos de bondade têm maior expressividade em ocasiões trágicas. Além disso, reforçam a necessidade de agirmos perante adversidades. Queria viver mais tempo dentro destas histórias, no entanto, fiquei emocionada com a mensagem e a força que transmitem.
«Pois é, meus amigos, pode-se viajar por este mundo fora, mas não há nada como voltar a casa»
A dupla de artistas partiu de dois atos comuns e agregadores para nos levar a refletir sobre questões tão profundas como a dignidade, o cumprimento de promessas e a nossa capacidade para resistir. Dotado de uma enorme sensibilidade, Comer / Beber lê-se num sopro, mas preserva o melhor e o pior da humanidade.
🎧 Música para acompanhar: Memórias, Ana Bacalhau
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