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Dez24
Maria do Rosário Pedreira
O Natal aproxima-se a passos largos e parece que mesmo quem se portou mal terá direito a presente, porque na verdade portar-se bem é uma coisa excepcional, e o mercado exige que haja presentes de Natal. No canal de rádio que ouço, a APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros) recomenda que ofereçamos livros, e livros há-os para todas as idades e todos os gostos. Curiosamente, um dos nossos mais lidos e vendidos semanários tinha um destes dias um guia de prendas (quiçá era patrocinado e eu nem reparei); mas fiquei um bocado desiludida com as sugestões, porque ao lado de montanhas de roupas, relógios, gadgets, CD e umas quantas inutilidades (parte das quais caríssimas), havia uns meros quatro livros numa página, ainda por cima a maioria estrangeiros e do tipo coffee-table book, e no fim outros quatro, esses já em português, mas, sinceramente, muito pouco representativos do que poderia ser um bom presente para nós, leitores inveterados. Ó senhores, acham que ler é obrigação, e não prazer, para porem lá aquela meia-dúzia tão mal escolhida e quase disfarçada? Por favor, ouçam rádio e aprendam: não há melhor presente do que um livro! Eu este ano, entre outros, vou oferecer o romance maravilhosamente humano Como Construir Um Barco, de Elaine Feeney, os Taludes Instáveis, de José Carlos Barros, o Visitar Amigos e outros Contos, de Luísa Costa Gomes, e outros que não posso dizer aqui, porque vão para quem também lê o blogue.