Pode ser que nunca ganhem, mas (perdoado o cacófato) esses são favoritos pessoais para o Nobel:

O norte-americano DON DeLILLO, o maior autor de ficção do nosso tempo,  a prova de que a pós-modernidade não enfraqueceu em nada a ficção, com pelo menos quatro livros fundamentais: Submundo, Mao II, Cosmópolis & Ruído Branco.  O primeiro deles, então, é o grande romance da virada do milênio, junto com Detetives Selvagens, do falecido Roberto Bolaño.

O maior contador de histórias do nosso tempo,  junto com o norte-americano John Irving, o grande fabulador anglo-indiano SALMAN RUSHDIE, mestre do  romance rocambolesco e carnavalesco.  Obras-primas: Os filhos da meia-noite e O último suspiro do mouro. Chegam bem perto: Os versos satânicos; O chão qae ela pisa, Haroun e o mar de Histórias, Fúria.

O deslumbrante autor português ANTÓNIO LOBO ANTUNES, desafiador a cada obra que se lê dele. Embora eu tenha demorado a me acostumar com sua genialidade, agora considero-o o único páreo para Don DeLillo em termos de abrangência e originalidade. Obras-primas supremas, entre os que eu li: Eu hei-de amar uma pedra & Fado Alexandrino. & O arquipélao d insónia. Outros livros essenciais: Conhecimento do Inferno, Os cus de judas, Auto dos Danados. E etc…

sabato

Sim, leitores, pasmem, ele está vivo ainda! O quase centenário (tem 99 anos) autor argentino ERNESTO SÁBATO, parece ser um dos fortes candidatos ao prêmio de 2010, pois seu nome foi propugnado oficialmente.  Ao contrário de DeLillo, Rushie & Lobo Antunes, há muito que não escreve nada significativo, mas a trilogia O túnel, Sobre heróis e tumbas & Abadon, o exterminador merecia ser homenageada. Além disso, a Argentina , assim como o Brasil, viu a realeza dos seus  autores morrer (Borges, Cortazar, Bioy Casares, Puig, para ficar nos mais conhecidos mundialmente), sem ter um único Nobel, ao contrário do Chile (com dois prêmios), a Guatemala, a Colômbia e o México…

vargas llosa

O admirável escritor peruano MARIO VARGAS LLOSA também não tem uma produção atual ao nível dos três primeiros, mas o que produziu até os anos 90 o torna mais-que-merecedor do Nobel. Obras-primas: Conversa na catedral, A guerra do fim do mundo, Lituma nos Andes, Tia Júlia e o escrevinhador,  Pantaleón e as visitadoras, A casa verde, além de vários outros títulos notáveis (História de Mayta, Elogio da Madrasta, A cidade e os cachorros, O falador, etc). Não bastasse isso, ainda tem os ensaios notáveis (os de Sabato não o são, na minha opinião) como A orgia perpétua, A verdade das mentiras e Contra vento e maré.

umbertoeco

Intelectual fenomenal, cujas obras teóricas já exercem grande sedução (A obra aberta, As formas do conteúdo, Apocalípticos e integrados, Sobre literatura, Seis passeios pelo bosque da ficção, Viagem à irrealidade cotidiana e um vasto etc), o italiano UMBERTO ECO ainda se deu ao luxo de escrever um dos livros mais carismáticos e apaixonantes das últimas décadas (O nome da rosa) e ainda prosseguir na carreira de romancista com os fascinantes O pêndulo de FoucaultA misteriosa chama da Rainha Loana (A ilha do dia anterior tem um argumento  genial e funciona até certo ponto). Neste ano me decepcionei muito com Eco devido ao péssimo e frívolo Não contem com o fim do livro, colóquios dele com Jean-Claude Carrière, porém isso não diminui em nada o quilate da sua obra.

itv-AmosOz

Seria um prêmio que correria o risco do mal entendido, dada a situação eterna entre Israel e os países árabes, por causa da Palestina. Mas ninguém pode negar que o israelense AMÓS OZ é um dos grandes escritores do mundo. Bastaria ler A caixa preta e o recente Rimas de vida e morte o confirma.

semprunjorge001

O maravilhoso escritor espanhol JORGE SEMPRÚN é bom na sua língua (Autobiografia de Federico Sánchez; Vinte anos e um dia), mas também é magistral em francês (A segunda morte de Ramón Mercader, Um belo domingo, A grande viagem).

milan_kundera

O tcheco (ou boêmio, como ele prefere) MILAN KUNDERA agora escreve diretamente em francês. Mas são as versões francesas dos seus livros tchecos que o tornaram um dos maiores. Obras-primas: A brincadeira, A valsa dos adeuses, Risíveis amores. Chegam bem perto A insustentável leveza do ser, A vida está em outra parte, O livro do riso e do esquecimento, A imortalidade, A ignorância. E tem seus livros de ensaios, notáveis (A arte do romance, A cortina).

MargaretAtwood-1

A canadense MARGARET ATWOOD é outro caso de multiplicidade: é ótima contista (Dançarinas), ótima romancista (um dos maiores romances dos últimos anos é Madame Oráculo, mas como esquecer Olho de gato, A vida antes do Homem, O lago sagrado, O assassino cego ou A noiva ladra, entre outros), ótima poeta (embora eu só conheça alguns poemas) e ótima ensaísta (Negociando com os mortos, Buscas curiosas).

milorad_pavich

Quem olhar a foto acima e achar muito solene e sério o sérvio MILORAD PAVITCH vai se enganar. Ele é da minha lista o autor mais lúdico, com seus originalíssimos Dicionário Kasar & Paisagem pintada com chá. Pena que quase não tenhamos acesso à sua obra, ela dá tanto prazer a quem gosta de jogos literários como os de Nabokov ou Dürrenmatt, com um toque de Danilo Kis.

ep9-dalton

Para mim o maior autor brasileiro ainda vivo, o curitibano DALTON TREVISAN tem um universo absolutamente peculiaríssimo e original, diferente de qualquer outro. Que títulos escolher na sua vasta produção, que começou há exatamente 50 anos com o lançamento do paradigmático Novelas Nada Exemplares?  Qualquer lista tem de forçosamente incluir os geniais A polaquinha; Virgem louca, loucos beijos; A guerra conjugal; O vampiro de Curitiba; A trombeta do anjo vingador; Cemitério de elefantes; O rei da terra

HORS CONCOURS

Este ano descobri tardiamente o magnífico escritor nigeriano Chinua Achebe, com seu romance fundamental Things Fall Apart (1958), que ganhou o título nacional de O mundo se despedaça. Como a obra de Achebe não se limita a esse livro, e ele é um dos escritores mais importantes do continente africano, que até agora só tem pouquíssimos prêmios (o de 86, para Wole Soyinka e o de 88 para Naguib Mahfouz, os de 91 e 2003, respectivamente para Nadine Gordimer e Coetzee, salvo engano– e será que Albert Camus, nascido na Argélia, poderia ser acrescentado à lista?), é um nome a se considerar, embora provavelmente 2010 não seja um ano de premiação para a ficção e a prosa, e sim para a poesia.