Às vezes, a responsável pela comunicação da editora que publica os meus livros de poesia, a querida Vânia, manda-me uns presentes antes mesmo de eu os cravar. E claro que no mês passado me brindou com o Partida, de Julian Barnes (que já aqui referi mas a que voltarei qualquer dia), sabendo como eu adoro o autor; mas com esse vinha a entrevista completa que o jornalista Jonathan Cott fez a Susan Sontag ao longo de meses de conversas no ano de 1978 e que agora foi publicada em livro sob o título A Entrevista Completa da Rolling Stone. Não abri logo o livro, porque estava mergulhada noutra coisa, mas estou ansiosa por fazê-lo, mal acabe o que tenho em mãos, porque o grande compositor António Pinho Vargas publicou um excerto belíssimo na sua página de Facebook, no qual Cott diz à filósofa e escritora norte-americana que ouviu dizer que ela lê um livro por dia, e ela comenta que, efectivamente, lê muitíssimo, de um modo impensado, como outros vêem televisão, e até cair de sono. Que ler a cura até da depressão. E depois lembra a maravilhosa poetisa Emily Dickinson e cita-a: «Flores e livros, as consolações da tristeza.» E acrescenta que, também para ela, ler é a sua consolação, o seu «pequeno suicídio». Maravilha de frases que pedem a leitura do livro todinho. Não admira que o jornalista a visitasse e revisitasse para continuar a conversa.