Planeta do Brasil – 2013 – Psicologia – 216 páginas – Nota 3♥♥♥. Este livro foge um pouco dos meus tipos de leitura, mas gosto de diversificar. Comprei o exemplar graças a uma promoção da livraria on-line e porque gosto do jeito simples e irreverente do padre, o admirando também como ser humano. Também porque o assunto me chamou a atenção. Capa preta e simples. O sequestro da subjetividade que no primeiro momento entendi tratar-se de relacionamentos pessoais que são destrutivos, minando nossas capacidades e nos fazem perder nossa essência. E eu estava certa. Livro pequeno, de letras médias, o texto é dissertativo, explicativo e em primeira pessoa. O olhar do autor para a vida. Padre, professor, escritor, compositor e cantor. Estudou filosofia, Teologia e Ensino. Começa o livro falando da atualidade, a tecnologia e a superficial vida que levamos. Vivendo mecanicamente, onde o tempo é o maior inimigo. No automático, sem reflexão, sem estudo e sem de fato, viver. A plenitude e árduo trabalho de ser quem somos. De lutarmos pelo que sonhamos e queremos. De não nos perdemos de nós mesmos. Recomendo ler o livro com o coração aberto, pois também se trata de um livro religioso, não podendo ser diferente pela formação do autor, falando de Deus e seus ensinamentos. Um livro a ser analisado, cheio de teorias. Cita constantemente o exemplo do sequestro do corpo para elucidar os papéis desempenhados e as posições de vítimas e algozes. “Nascemos indivíduos. A condição de pessoa é uma meta a ser vivida, um objetivo a ser alcançado”. Pág. 28. “O ser humano se constrói aos poucos. Tudo já está nele, mas é preciso conquistar-se. Corre-se o risco de morrer sem ter chegado ao que essencialmente se é” Pág. 133. Apesar de livres, estamos aprisionados, não somos totalmente o que somos. Como os dias atuais tornam as pessoas fúteis, supérfluas, sempre apressadas, querendo resultados rápidos e sem esforço. Não somos treinados para o último lugar, não aprendemos a lidar com o fracasso. Só sabemos sonhar com o pódio de tudo. O li ticando vários pontos. Trata-se de um texto complexo. Teorias, metáforas, gostando bastante porque aborda psicologia, teologia e até poesia. Cita nomes e exemplos. Faz analogias. Me reservei o direito de não julgar o que foi escrito, mesmo discordando de duas partes. Fala dos relacionamentos pessoais e profissionais. Fala de amor e Deus, mas não cabe dizer que seja um livro religioso, embora tenhamos o olhar de um padre para as questões. Discurso muito bem atrelado, me surpreendeu com tamanho conhecimento e audácia. “O ser humano é um apanhado de possibilidades e limites” Pág. 37. Relações de amor, fé, domínio, medo, posse e a linha tênue entre eles. Vícios, acomodações, covardia, vulnerabilidade, mitos, ideal, segurança são analisados. Nos mostra paradigmas nas relações humanas e como a identificamos através das ações. Ensina que o eu e o tú formam uma terceira pessoa, o nós. Cita o que é o amor, as formas de amor, o respeito, diz que a interação entre as pessoas é o caminho para o crescimento. Desejo X prazer. Superação X Perfeição – que é algo inexistente, inventado. Também cita a Disney como fator propulsor da irrealidade e das consequências que traz para a vida adulta. Estereótipos ilusórios, máscaras e personagens que as pessoas se revestem. A importância da autenticidade para não sofrer a negação do ser. Aceitar o desafio de ver o que a multidão não enxerga e olhar devagar para cada coisa. Gente dominada e sem vontade própria. “Preconceitos, visões apressadas, conceitos distorcidos, desumanizações em nome de Deus. Cativeiros em nome do amor” Pág. 208. Um livro a ser explorado e refletido. Bom dia, volto na Quinta-feira com nova resenha!