Juntando as palavras – Lar doce lar

Lar doce lar

Hoje, treze de maio de 2013, completo dez anos de minha independência!  Há dez anos eu saía da casa de meus pais para morar sozinha, na pequena casa que construí e vivo até hoje.

Agora são dez horas da noite, ou vinte e duas horas para quem prefere assim, há esta hora – em 2003 – eu já havia chegado para passar a primeira noite em minha casa nova. Ela fica num terreno de esquina. Estranhei porque se ouvia o barulho de quem caminhava na rua à noite, também se ouvia o barulho do ônibus que passava na Avenida Edgar Pires de Castro, que fica a aproximadamente 300 metros de casa. Hoje já não se ouve mais. Lembro que não senti medo; sentia, na verdade, orgulho por ter conseguido minha independência; mas, ao mesmo tempo, o vazio da casa me incomodava um pouco.

O vazio não era exatamente a falta de mobília, que embora muito simples até que era bem distribuída ocupando o espaço disponível, mas o vazio a que me refiro é a falta da bagunça da família, a disputa pelo banheiro, a briga pra ver quem iria lavar a louça (ou melhor, quem não iria lavar), o volume da TV, e essas coisas de convívio familiar.

A mobília, como falei, era muito simples. Novo mesmo somente os armários da cozinha. O fogão era usado. A geladeira e a TV foram cedidas pelo pai. Minha avó colaborou com a mesa, cadeiras e um sofá de dois lugares. Os móveis do quarto eu trouxe os que eu usava na casa da mãe. Por dias lembro que chegava a casa e ficava olhando tudo arrumadinho, já que não tinha ninguém pra bagunçar: um sonho pra quem sempre dividiu o quarto com mais duas irmãs.

Embora tenha curtido a novidade da casa, tive dificuldades nos primeiros meses. Estava desempregada e usei o dinheiro da rescisão para terminar o que faltava na “obra”. Trabalhei com meu pai, que tinha um bar que servia almoço na época. Ele me ajudou muito até eu voltar a trabalhar formalmente.

Os anos passaram, minha mãe construiu sua casa no mesmo terreno, a família frequentemente se reúne por aqui: não há mais vazio. Fiz algumas melhorias na casa. Troquei a mobília e, sempre que posso, cedo alguma coisa que não tem mais utilidade para mim, pois muitas pessoas me ajudaram além das que já citei e, portanto, sei o quanto uma ajuda é bem vinda.

Por fim resolvi escrever porque sinceramente acho que morar sozinha foi a melhor decisão que tomei em minha vida. Amadureci, conquistei minha liberdade, melhorei meu relacionamento com a família e descobri a capacidade que tenho de conseguir o que desejo. Não incentivo ninguém a fazer o mesmo, porque é preciso muita determinação, mas eu, particularmente, não me arrependo.

Por fim quero dizer que minha casa é meu Lar Doce Lar. Ela continua muito simples; mas, quando estou fora, não vejo a hora de voltar.

Letícia Portella

13 de maio de 2013.