“Livro do nosso amor que tem hoje a encantá-lo,

Divino e espiritual o seu desinteresse...

Livro confessionário em que à tua alma falo

Na graça de uma rima e num sabor de prece...

Ponte feita de ideias que transpõe o valo

Que a morte assim julgou que entre noivos fizesse...

De um sol que se apagou a qual dourado halo

Que a mais trevosa dor nem de leve escurece...

Regaço de poesias em que o pranto estanco,

Deixo nele a minh´alma, em luminoso rastro

Quebrando a escuridão desta minha viuvez...

Oh! livro de marfim, meu livro todo branco,

Livro que és para nós, a igreja de alabastro

Em que vamos casar pela segunda vez...”

1912

Paulo Silva Araujo - do livro Segundas Núpcias - inédito. In: Poesias, Edição comemorativa do 50º do aniversário de sua morte, Rio de Janeiro, Tipografia Baptista de Souza, 1968. (pág. 104) Poeta Simbolista e Médico fluminense nascido em 23 de julho de 1883 e falecido em 22 de outubro de 1918. Pertenceu ao grupo de Saturnino de Meireles, onde juntos, editaram a revista Rosa-Cruz, a partir de 1904. Era amigo de Catulo da Paixão Cearense, João do Rio e Chiquinha Gonzaga, que musicou alguns de seus poemas.