"Sputnik, Meu Amor", de Haruki Murakami (Biblioteca Sábado)

Sinopse:

Um jovem professor primário, identificado apenas pela inicial «K», apaixona-se por Sumire, uma jovem aspirante a escritora. Quando esta entabula uma relação amorosa com Miu, uma enigmática mulher de meia-idade que a emprega como secretária, K é relegado para o ingrato papel de confidente. Sumire, porém, estando de férias numa ilha grega com a sua amante, desaparece misteriosamente, e K é chamado para ajudar nas buscas. Um estranho triângulo que oferece uma profunda reflexão sobre a solidão, os sonhos e aspirações do indivíduo e a necessidade de os adaptar à realidade.

Opinião:
Este foi um daqueles livros que terminei, mas fiquei sem saber o que dele pensava. É uma história que parece simples, mas na verdade é bastante estranha. Ao mesmo tempo, fiquei sem perceber muito bem porque a achei tão estranha.
Se calhar não consegui perceber o significado da história, ou por outro lado talvez não houvesse significado e eu esteja à procura de algo que não existe.
O que acontece é que, por culpa desta dualidade este é um daqueles livros que 'nem me aquece, nem me arrefece'.

Gostei da escrita do autor, simples mas com um laivos de poesia presente em cada momento. Gostei das personagens, tão simples e ainda assim tão estranhas como a própria história. E num quadro geral gostei muito da execução da história, onde até as coisas que me poderiam irritar noutras obras, acabaram por não me incomodar nesta.

Ainda assim, o que acontece é que nada neste livro me marcou. Certamente não as personagens, as três que têm praticamente um protagonismo só, mas que na verdade não parecem ser protagonistas de nada. Por outro lado a história também não me tocou o coração, apesar de certas cenas me ficarem na memória (nomeadamente a da roda gigante, a do gato da Sumire e a da subida de K ao cume da ilha). Talvez a dispersão das cenas me tenha cingido a relação com o livro. A verdade é que algumas cenas me pareceram desnecessárias, certas descrições julguei não terem qualquer finalidade, mas ainda assim não me incomodaram.

Na verdade não sei como definir esta minha leitura e já há algum tempo que isto não em acontecia. Talvez este livro precise ser relido um dia.

Posso dizer, no entanto, que não desgostei, daí que tenha intenções de ler o outro livro que tenho do autor (Em Busca do Carneiro Selvagem).
Perdoem-me a opinião vaga, mas não sei muito bem como me expressar em relação a este livro. Não foi marcante o suficiente para dizer que o adorei, mas também não me deixou indiferente o suficiente para dizer que não gostei. Fico assim numa estranha corda bamba.

Tradução(Maria João Lourenço):
O trabalho de tradução pareceu-me excelente. Viu-se que houve um esforço adicional para adaptar o texto às especificidades da língua portuguesa, sem que esta assoberbasse o texto original.

Capa, Design e Edição:
A capa está interessante e tem alguma relação com a história. Aliás, quanto mais a vejo, mais a acho excelente. Mais do que, diria, as outras capas que conheço de edições portuguesas e estrangeiras.
O design interior está igual à restante colecção (margens pequenas, mas suficientes). No entanto tenho de apontar uma falha de edição neste livro. Muitas palavras aparecem separadas por um hífen a meio da frase, vendo-se que estas, noutra edição, estavam no fim de uma linha e tinham então sido separadas, mas mantendo isto nesta edição, o leitor acaba distraído. Deviam ter tido mais cuidado.

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