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Eu tinha outro post para sair hoje, mas ontem soube da morte de Jane Goodall e mudei de ideias.

A Jane Goodall foi uma grande inspiração na minha vida, na minha vontade de fazer voluntariado em projectos relacionados com conservação de animais, na minha decisão de seguir medicina veterinária, de estudar biologia da conservação. Nas minhas "loucuras" de viajar para sítios para conhecer de perto a vida selvagem incrível que temos no planeta.

Em 2017, quando Jane veio a Portugal para o National Geographic Summit (que entretanto a National Geographic deixou de organizar), fui ouvi-la e foi, sem dúvida, um dos dias mais marcantes da minha vida.

Na altura, escrevi aqui:

O Tivoli estava cheio e nunca ouvi tanto silêncio num teatro com tanta gente. Jane tinha 27 anos quando viajou três semanas num barco rumo à Tanzânia para visitar uma amiga e acabou no meio da floresta do Gombé a estudar chimpanzés. Anos mais tarde percebeu que os chimpanzés podiam desaparecer e começou a viajar pelo mundo para alertar as pessoas para a sua conservação. Jane tem 83 anos. Fala com a paciência de quem conta a mesma história pela centésima vez, mas com o mesmo propósito e a mesma paixão de há tantos anos atrás.

Jane fala da sua infância no Reino Unido, de África, do que aprendeu com os chimpanzés e de como se desiludiu também, por afinal poderem ser tão violentos como os seres humanos. No final, Jane mostra um vídeo (este) onde é abraçada por um chimpanzé reabilitado e devolvido à natureza. Fala dos estragos que temos causado no planeta mas não quer terminar de forma negativa. No fim, Jane volta ao livro («Reasons for Hope») e partilha as suas razões para (ainda) acreditar no ser humano.

Each one of us matters, has a role to play, and makes a difference. Each one of us must take responsibility for our own lives, and above all, show respect and love for living things around us.

Jane morreu com 91 anos, quando ainda continuava a percorrer o mundo a contar a sua história. E esse é o seu legado. Eu e todas as pessoas que se sentiram inspiradas pela sua história e que, de alguma forma, por muito pequena que seja, fizeram ou fazem algo para conservar a fauna e a flora do mundo incrível em que vivemos.