Porque as Galeries Lafayette não são só para quem quer comprar uns trapos.
O edifício principal das Galeries Lafayette na Blvd Haussmann é icónico: não sendo esplendoroso ou digno de grande destaque por fora (nesse aspecto, ganha o Printemps, quase ao lado, ou mesmo o Bazar de l'Hôtel de Ville, que pertence ao grupo Lafayette), o seu interior transporta-nos para outro mundo. Antes de mais, a cúpula, é claro; mas os elevadores lembraram-me do filme do Titanic, e as escadarias remontam totalmente ao início do séc. XX.
Sendo maioritariamente dedicado a roupa feminina, este edifício tem, no 6º piso, uma livraria. Destaco também que este piso serve como um miradouro grátis com bonitas vistas sobre a cidade. A livraria tem um aspecto muito clean, mas tem um pouco de tudo: desde livros de belas-artes, moda e guias turísticos, a uma vasta selecção de clássicos, ensaios, ficção contemporânea, romances e bandas desenhadas. Dá, portanto, para encontrar de tudo.
Encontrei também aqui um conceito que tenho vindo a descobrir um pouco por todas as livrarias da cidade: a ausência da indicação de preço. Sendo os livros muito mais baratos que em Portugal, raramente excedendo os 10€ (o mais caro que vi custava 14€, uma edição completa de Les Misérables), a verdade é que os preços nesta livraria são uma incógnita: se muitas edições da Folio têm preço de capa, isto não se aplica à maioria dos livros. Será que o conceito é estar interessado num livro e levá-lo não obstante o preço? Se sim, confesso que gosto do conceito - mas acho inconcebível num país como Portugal, em que os preços médios são altíssimos.




