Fotografia da minha autoria

- desafio proposto no volume II da Ofélia -

a súplica em tom de lamento

por entre pausas para chá

da dor, da malidecência

do choro que acumulas

numa narrativa improvisada

de mentiras

o grito ecoa mudo em contramão

neste futuro sem pontes

sem protagonistas, sem nós

num gélido adeus

onde não cabem mais palavras

a metafísica das coisas banais

uniu os recortes de uma vida

que se perdeu por fim

tal como invólucro que quebra

e deixa flores caírem ao mar

verão de quantas empatia

são feitas as minhas lágrimas

salgadas, sem norte

libertei os fantasmas da culpa

capotei no abismo da ausência

mas a estrada segue adiante

e eu segui-lhe o rasto

misericórdia

em plena privação do outro

dos outros em mim

escalei a montanha de terreno

lamacento e caí

já não existe mais nada

a que me agarrar

aqui

e cedi

como brisa numa noite de verão

o chá arrefece em câmara lenta

e eu sem noção

da sorte que vi em mim