«Eu bebi da raiva como sumo

Deve ser por isso que eu não durmo

Sim eu já errei, isso assumo

Mas não fiques se é para fazeres disso assunto

[...]

Sou caos e calma, é no centro que me fundo

Sou toda a alma mas dizes que te confundo

Na tua sala não te vejo entre o fumo

Não sei se é karma ou se sou eu que te consumo

Fecho a porta, desta vez eu deixo o trinco

Fechas-me a porta, gritas, dizes que te minto

E na verdade a saudade é labirinto

Entre o que é certo e é certo saber que sinto

Ficou mórbido o que um dia foi bonito

Os poemas não se ouvem entre os gritos

Sinto muito sentir tanto e admito

Que saio com mais vontade do que a que fico

[...]

Eu dizia que a dor é minha vizinha

Afinal nem sabia quantos quartos tinha

Não estou para ninguém, cortei a campainha

A mágoa arrasta não lhe vou fazer bainha

Acendo a vela, selo esta vida minha

Onde foi o sonho que era meu e sei que tinha»