"O Depoimento de Américo Thomaz"
Estado Novo, Antigo Regime, 25 de Abril, Américo Thomaz, Sátira política, História de Portugal
20Abr24 Elsa Filipe Hoje fui à biblioteca do Seixal, onde podemos ter acesso a livros sobre o Antigo Regime, sobre o 25 de Abril e sob o pós-revolução, engtre os quais podemos encontrar também alguns livros que tinham sido proibidos pelo Regime.Escolhi para hoje, um livro do escritor e caricaturista José Vilhena, que é um retrato do Antigo Regime, num tom de sarcástico e irónico, que roça mesmo o gozo e que se torna uma excelente forma de perceber o Estado Novo. Neste livro, publicado em 1975, José Vilhena retrata a mentalidade do fascismo português de uma forma única. A própria capa do livro, assume desde logo esse sarcasmo a roçar quase a ofensa, em que Américo Thomaz aparece representado com uma "cabeça de abóbora".Já na contracapa, desenhadas como que a caneta no uniforme de Américo Thomaz também representam algumas ordens e comendas bem elucidativas, como por exemplo: "Benemérita Associação dos Amigos do Alheio", pela sua dedicação mostrada à causa. O texto é uma resposta ao depoimento do Chefe de Estado, deposto aquando da Revolução de Abril de 1974, quando foi demitido do cargo de Presidente e "expulso compulsivamente da Marinha, tendo sido enviado para a Madeira, donde partiu para o exílio no Brasil." Américo Thomaz tinha sido o "candidato escolhido pela União Nacional para suceder a Craveiro Lopes, com o beneplácito de António de Oliveira Salazar, em 1958. Uma das razões para ter sido escolhido, foi o facto de ser uma pessoa pouco interventiva." De facto, este acabou por ser "pouco mais do que um chefe de estado cerimonial, aparecendo muitas vezes a inaugurar exposições de flores," sendo muitas vezes apelidado de "o corta-fitas". Era também alvo de gozo, "pelo seu pouco talento para o discurso público," ficndo na memória frases como:"É a primeira vez que cá estou desde a última vez que cá estive", ou "Hoje visitei todos os pavilhões, se não contar com os que não visitei", que proferiu em visitas e inaugurações.Mas neste livro, a crítica a Américo Thomaz é apenas o mote, que leva depois a um despencar de críticas e sublimes ofensivas contra o Regime e contra os seus principais intervenientes. Fica aqui, um pouco daquilo que podem ler, mas convido-vos, se conseguirem encontrar algum exemplar, a lerem este verdadeiro achado literário."Fiz a viagem em companhia da Gertrudes, (...) e do fuinha do Marcelo Caetano, esse sabujo que, no fim de contas, foi o coveiro do Império (...).""(...) resolvi aceitar o honroso convite, depois de ter perguntado ao meu médico assistente se o fígado, o estômago, os rins e a coluna aguentariam mais sete anos de passeatas, jantaradas, coquetéis e beberetes.""(...) quando me meteram ao empurrão dentro dum «chaimite» a caminho do aeroporto.""Só barragens, inauguradas por mim, foram 17 (...), mictórios foram 204 (...).""Enquanto o anterior regime esteve no poder, viveu-se sempre em abundância, com o cinto desapertado e sem temer o dia de amanhã. E se julgam que era só o Chefe de Estado quem metia para dentro a labúrdia, estão completamente equivocados."Fontes:https://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9rico_Tom%C3%A1s « anteriorinícioseguinte »
Texto originalmente publicado em Elsa Filipe