No Porto Interior, as tancareiras que fizeram de Wenceslau de Moraes um voyeur desavergonhado, espreitando a vida quotidiana dos pescadores e respectivas famílias a bordo, já não existem. Pescadores em Macau, aliás, é coisa do passado, pelo menos no que me é dado a ver. Sobram as bancas de peixe seco, muito mais barato do que nas ruas tomadas pelos turistas na zona das ruínas de São Paulo, o movimento nos armazéns de alguns cais e as lojas que persistem na venda de cordas, anzois, isco. Não sei quem os comprará, já que pescadores, nem vê-los.
Pescadores de Macau
Texto originalmente publicado em Cadeirão Voltaire
