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Set22

Maria do Rosário Pedreira

Entrei na Faculdade no ano dos primeiros cursos de Línguas e Literaturas Modernas, que permitiam, pela primeira vez, a combinação de duas línguas de origens diferentes. Estudei por isso Francês e Inglês e, apesar de ter feito quase todas as cadeiras no Departamento de Estudos Anglo-Americanos, onde estavam muitos dos professores de quem gostava, tenho de dizer que me licenciei sem ter lido uma única peça de Shakespeare (li-as, mas fora das aulas), o que só pode ter sido fruto da confusão efervescente daqueles anos. Tive a sorte, porém, de poder num só ano estudar três peças de teatro em Literatura Francesa, ensinadas por três belíssimas professoras: Cristina Ribeiro, Maria João Brilhante e Helena Buescu. Tratava-se de Cid, de Corneille, Fedra, de Racine e D. João, de Molière, que é um texto absolutamente brilhante e divertido, embora não acabe lá muito bem... Sai agora outra peça de Molière para o mercado, O Misantropo, pela mão da Quetzal, no contexto da publicação das obras traduzidas por Vasco Graça Moura. Fala, como o título indica, de um homem metido consigo e pessimista que odeia positivamente a sociedade mas que ama uma jovem que, ao contrário dele, gosta imensamente da vida mundana e se recusa a viver isolada. A capa é também muito bela, pelo que significará para mim um regresso a este dramaturgo e ao teatro, que é talvez o género que menos leio. Leiam também.

P.S. Amanhã às 16h00 vou estar no Porto, na cooperativa Árvore, a convite da Poetria, a falar com a poetisa Rosa Alice Branco do meu novo livro de poesia. Apareçam!

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