Caríssimos, desde que li este soneto fiquei revoltado por nunca ter ouvido falar do autor nem no colégio e nem na faculdade. 

Agripino Grieco disse que todo brasileiro deveria saber de cor o soneto abaixo. Se o povo prefere ficar decorando poesias curtinhas só porque exprimem a tal concisão de vanguardinhas, fazer o que? O soneto abaixo é um belo exemplo de concisão e esplendor artístico.

ARGILA

Nascemos um para o outro, dessa argila

De que são feitas as criaturas raras;

Tens legendas pagãs nas carnes claras

E eu tenho a alma dos faunos na pupila...

Às belezas heróicas te comparas

E em mim a luz olímpica cintila, 

Gritam em nós todas as nobres taras

Daquela Grécia esplêndida e tranquila...

É tanta a glória que nos encaminha

Em nosso amor de seleção, profundo,

Que (ouço ao longe o oráculo de Elêusis)

Se um dia eu fosse teu e fosses minha, 

O nosso amor conceberia um mundo

E do teu ventre nasceriam deuses...

Raul de Leôni